

A família do idoso de 83 anos em situação de rua que foi filmado tendo o cabelo e a barba tingidos de vermelho por um empresário, em São José do Rio Preto, manifestou profunda indignação com o ocorrido. O caso, que gerou forte revolta nas redes sociais, está sendo acompanhado de perto pelos parentes, que agora clamam pela punição do responsável. Até o momento, as autoridades policiais informaram que o idoso ainda não foi localizado para prestar depoimento sobre o episódio.

Em entrevista à imprensa, um familiar que optou por não revelar sua identidade desmentiu os boatos de que o idoso teria sido abandonado pelos parentes. Ele explicou que a família tenta ajudá-lo há anos e já buscou a internação do idoso em pelo menos três ocasiões. Contudo, o homem enfrenta uma severa dependência química há décadas, o que compromete sua capacidade de aderir aos tratamentos de saúde e dificulta sua permanência em lares de acolhimento ou abrigos públicos. O parente destacou que, devido à idade avançada e ao vício, o idoso é uma pessoa incapaz de compreender totalmente certas situações, o que o torna extremamente vulnerável a abusos.
O vídeo que desencadeou a polêmica foi gravado no início de maio, mas ganhou repercussão nacional recentemente. Nas imagens, o idoso demonstra claro desconforto e hesitação, sinalizando que não gostaria de passar pelo procedimento estético. Apesar da recusa, o dono de uma garagem de veículos insiste na ação e chega a ameaçar retirar as doações de roupas que daria ao idoso caso ele não aceitasse pintar o cabelo e a barba. Logo após a gravação, fotos do idoso com os pelos completamente vermelhos foram compartilhadas, gerando acusações de humilhação pública.


Em sua defesa, o empresário Renato Eugênio Dias enviou um comunicado afirmando que mantém uma relação de amizade de longa data com o idoso e alegou que tudo não passou de uma brincadeira em um momento de descontração. A reportagem tentou contato com a defesa do comerciante para obter novos esclarecimentos, mas não houve retorno.
A justificativa de “brincadeira”, no entanto, não convenceu as autoridades. A Polícia Civil abriu um inquérito para investigar o empresário por possíveis crimes previstos no Estatuto da Pessoa Idosa, além do crime de injúria. O Ministério Público também entrou no caso e instaurou um procedimento para apurar todas as responsabilidades. Para completar, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social repudiou veementemente a atitude, classificando o episódio como uma situação vexatória e humilhante, e confirmou que vai encaminhar o relatório do caso para a Defensoria Pública tomar as providências cabíveis.








