terça, 13 de janeiro de 2026

Família de ciclista atropelada contesta juiz aposentado e cobra julgamento por dolo eventual

O irmão da ciclista Thais Bonatti, que morreu atropelada por um juiz aposentado em Araçatuba (SP), contestou as declarações dadas pelo magistrado e reforçou a expectativa por um julgamento por dolo eventual, que é quando o réu assume o risco de provocar a morte. Thais Bonatti, de 30 anos, foi atingida na manhã de 24 de julho na rotatória da Avenida Waldemar Alves, quando ia para o trabalho.

O juiz aposentado Fernando Augusto Fontes Rodrigues Júnior, de 61 anos, e a garota de programa que estava com ele no veículo foram denunciados pelo Ministério Público (MP) por homicídio doloso (com intenção de matar ou assumindo o risco).

Em entrevista à TV TEMWilliam Aparecido de Andrade, irmão da vítima, reagiu à defesa do juiz, que alegou ter bebido apenas duas cervejas e shots de tequila e que tinha condições de dirigir no momento do acidente.

Versão da Família e Provas

William Aparecido de Andrade afirmou que a família não concorda com a versão do juiz de que ele não estava embriagado, citando o exame clínico que atestou a embriaguez e o fato de o próprio juiz ter confessado, em depoimento, que bebeu.

O irmão destacou que a forma de dirigir do juiz no dia do acidente, registrada por câmeras de segurança, é uma prova da embriaguez. As imagens mostram Fernando cometendo imprudências, como seguir pela contramão, antes de atingir Thais.

“Há muitas controvérsias nessa entrevista. Ele saiu da boate, teve testemunhas que conversaram com ele, ele se recusando a aceitar ajuda. Andou na contramão, em determinado momento parou a caminhonete para a pessoa [garota de programa] sentar no colo dele. Ele não se lembra do que ele não quer se lembrar”, afirmou William.

A investigação policial aponta que o juiz e a mulher tentaram manter relação sexual dentro do veículo em movimento, o que teria comprometido totalmente a visão e a capacidade de reação do motorista. O promotor do MP registrou na denúncia que Fernando dirigia com a mulher nua e sentada em seu colo no momento da batida, que ocorreu sem reação de frenagem.

Expectativa por Justiça

O irmão da ciclista rebateu a defesa do juiz sobre o “ponto cego”: “Ele fala que não viu, obviamente que ele não viu mesmo a minha irmã. Com uma pessoa dirigindo com uma pessoa no colo, não se tem visão nenhuma. Não faz sentido, ele realmente não viu mesmo, não existe ‘ponto cego’ ali”.

A denúncia do MP, recebida com alívio e esperança pela família, argumenta que o juiz assumiu o risco de causar a morte da vítima, e que a garota de programa contribuiu diretamente para o resultado ao aceitar a situação no carro.

Quatro meses após o atropelamento, William concluiu que a família vive entre o luto e a expectativa de responsabilização: “A gente quer que ele seja preso e julgado, que a justiça seja feita, a gente acredita que o juiz que irá receber a denúncia pelo Ministério Público julgue pelo dolo eventual. É isso que a gente quer.”

Fernando, que havia sido preso em flagrante, foi liberado após o pagamento de fiança de R$ 40 mil e teve o direito de dirigir suspenso.

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