

O clima de forte comoção e dor marcou o sepultamento de Esther Aparecida Ramos de Oliveira Santos, de 32 anos, no fim da tarde desta sexta-feira (10), no Cemitério Recanto de Paz, em Araçatuba. Abalados, familiares e amigos se despediram da jovem mãe, que deixou dois filhos — um menino de três anos e uma bebê de apenas quatro meses —, em meio a um profundo sentimento de indignação. O companheiro de Esther, o coletor Jonathan Junior, acredita que a morte poderia ter sido evitada e exige uma investigação rigorosa sobre o atendimento médico que ela recebeu nos dias anteriores ao óbito.

De acordo com o relato do companheiro, Esther vinha sofrendo há dias com graves crises de falta de ar. Ela buscou socorro no Pronto-Socorro Municipal por diversas vezes, mas, após ser medicada, acabava sempre liberada para voltar para casa. Jonathan conta que os médicos chegaram a falar em pneumonia e em outros problemas no pulmão, garantindo que o quadro não era grave. A última passagem da jovem pela unidade ocorreu entre a noite de segunda-feira (6) e a madrugada de terça-feira (7), quando recebeu nova alta. Na quinta-feira (9), poucas horas após o companheiro sair para trabalhar e notar uma aparente melhora na esposa, Esther voltou a passar mal dentro de casa, no bairro Porto Real, e faleceu antes mesmo de conseguir um novo atendimento médico.
Muito abalado, Jonathan relembrou que as últimas palavras da companheira, com quem viveu por 14 anos, foram um pedido carinhoso para trocar a roupa da filha recém-nascida, uma tarefa simples que ela não conseguia realizar há dias por causa do cansaço. O coletor questiona o critério dos profissionais de saúde em liberá-la sucessivas vezes sem uma internação e garantiu que vai lutar por justiça para entender o que de fato aconteceu com a esposa, já que ela vinha dando sinais claros de que a saúde estava debilitada.


Diante da gravidade das denúncias, a Prefeitura de Araçatuba divulgou uma nota lamentando a morte e informou que já cobrou da Associação Filantrópica Nova Esperança (AFNE), empresa que gerencia o Pronto-Socorro Municipal, o envio imediato de todos os prontuários, registros clínicos e até as gravações de segurança dos dias em que Esther esteve no local. Todo o histórico médico será analisado pelo Comitê Municipal de Mortalidade, um órgão técnico que avalia óbitos na rede pública, para apurar se houve negligência ou erro médico antes de aplicar possíveis punições administrativas. As circunstâncias da tragédia seguem sob investigação.








