

Em um gesto de solidariedade em meio à dor, a família de Maria Cristina da Silva, de 46 anos, autorizou a doação de seus órgãos após a confirmação de sua morte cerebral. A paciente estava internada no Hospital de Base (HB) de São José do Rio Preto desde o início da semana, após ser transferida da rede pública de Nova Aliança. O procedimento de captação foi realizado pelas equipes médicas da instituição e incluiu o coração, o fígado, os rins e as córneas, que agora darão uma nova chance de vida a pacientes que aguardam na fila de transplantes. De acordo com o filho da dona de casa, Miguel Matheus da Silva Antônio, a decisão respeitou um desejo que a mãe sempre manifestou em vida.

Apesar do desfecho solidário, o caso é marcado por uma forte dor e pela indignação dos familiares, que registraram uma denúncia na polícia por suspeita de negligência médica contra o atendimento recebido em Nova Aliança. Maria Cristina foi encontrada caída em uma rua da cidade e socorrida até o Centro de Saúde Municipal, de onde recebeu alta logo após o primeiro atendimento. Em casa, a mulher passou a apresentar confusão mental e fortes dores de cabeça, o que fez com que a família a levasse de volta à unidade de saúde.
O filho relatou às autoridades que, mesmo com a visível piora no estado de saúde de sua mãe, a equipe médica local demorou a realizar exames detalhados e a providenciar a transferência para um hospital com suporte avançado. A remoção para o Hospital de Base de Rio Preto só teria acontecido após muita insistência e cobrança dos parentes. Ao darem entrada na unidade de alta complexidade, os médicos constataram que Maria Cristina havia sofrido um aneurisma cerebral e que seu quadro era gravíssimo, sinalizando que a demora no socorro especializado pode ter agravado a situação de forma irreversível.


Em pronunciamento oficial, a Secretaria Municipal de Saúde de Nova Aliança lamentou o falecimento da moradora, mas defendeu a atuação de seus profissionais. O órgão alegou que a cidade não dispõe de estrutura hospitalar para exames complexos, mas garantiu que, de acordo com o prontuário e os registros internos, toda a assistência prestada seguiu rigorosamente a avaliação clínica da paciente em cada momento em que ela esteve na unidade.







