sexta, 14 de agosto de 2026

Falta de rastreamento no SUS faz 90% dos casos de câncer de pulmão serem descobertos em fase avançada

O câncer de pulmão é considerado uma doença silenciosa e altamente letal, cujos sintomas iniciais costumam ser confundidos com problemas corriqueiros, como tosse, gripe ou bronquite. Um estudo realizado pelo Instituto Lado a Lado pela Vida, com base na análise de mais de 14 mil diagnósticos registrados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), revelou que 89,6% dos pacientes brasileiros descobrem o tumor já nos estágios 3 ou 4. Nessas fases avançadas ou com presença de metástase, as chances de cura caem drasticamente, expondo um gargalo crítico no atendimento público de saúde em comparação à média mundial.

Especialistas alertam que a ausência de um programa nacional de rastreamento preventivo é o principal fator para o diagnóstico tardio da doença. Embora exames cruciais como a tomografia computadorizada estejam disponíveis na rede pública, a falta de protocolos para a busca ativa de pessoas em grupos de risco faz com que muitos pacientes recebam apenas radiografias simples nos postos de saúde — um método considerado inadequado para detectar tumores em fase inicial. O problema afeta principalmente fumantes e ex-fumantes, mas também ganha novos contornos com o aumento do uso de cigarros eletrônicos entre jovens e a exposição contínua à poluição e a agentes químicos.

A urgência por políticas públicas eficientes é reforçada pelas estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), que prevê mais de 35 mil novos casos anuais da doença no país. Entidades médicas defendem que o Ministério da Saúde implemente estratégias de busca ativa com tomografias anuais de baixa radiação para populações vulneráveis. A medida, além de salvar vidas e aumentar as taxas de cura para patamares superiores a 90% quando o tumor é descoberto no início, geraria economia milionária aos cofres públicos ao evitar tratamentos de alta complexidade ao longo da vida dos pacientes.

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