segunda, 6 de julho de 2026

Exercícios leves e rotineiros reduzem o risco de depressão na velhice, aponta estudo

Manter o corpo em movimento ao longo da vida é um dos caminhos mais eficazes para proteger a saúde mental na terceira idade. Essa é a conclusão central de um estudo internacional que acompanhou mais de 15 mil pessoas com 50 anos ou mais durante 12 anos no Reino Unido e nos Estados Unidos. A pesquisa comprovou que a prática regular de atividades físicas reduz de forma significativa o risco de desenvolver sintomas depressivos na velhice, destacando que mesmo esforços moderados e de curta duração já trazem grandes benefícios.

O trabalho foi liderado por André de Oliveira Werneck, pesquisador da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), durante um estágio de doutorado no King’s College London, no Reino Unido, com o apoio da Fapesp. Para alcançar um resultado altamente preciso, os cientistas utilizaram dados de dois grandes projetos governamentais que avaliam idosos a cada dois anos. A grande inovação do estudo foi o uso de técnicas estatísticas avançadas para corrigir distorções comuns em pesquisas longas, como o fato de pessoas que se exercitam já terem, por exemplo, maior renda ou menos doenças. O sistema de computador conseguiu nivelar essas diferenças, isolando o real impacto do esporte na mente dos participantes.

Os pesquisadores analisaram dois cenários de rotina: o primeiro consistia em praticar atividades moderadas ou intensas pelo menos duas vezes por semana, e o segundo envolvia fazer apenas um dia de exercício pesado por semana. Em ambos os casos, houve uma queda marcante no surgimento de quadros depressivos. Nos Estados Unidos e no Reino Unido, a prática moderada duas vezes por semana reduziu o risco da doença em 12% e 13%, respectivamente. Já quem realizou um treino intenso pelo menos uma vez por semana viu o risco diminuir entre 13% e 16%.

De acordo com Werneck, o dado mais animador é que os idosos não precisam se submeter a treinos exaustivos ou frequentar academias para colher esses frutos. Atividades simples do cotidiano, como fazer caminhadas pelo bairro ou cuidar do jardim de casa, já se enquadram como exercícios moderados e são muito mais acessíveis. O estudo indica que se movimentar um pouco, mesmo abaixo do tempo semanal recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), é drasticamente melhor do que passar o dia sentado. Por isso, os autores defendem que as campanhas públicas de saúde devem focar prioritariamente em tirar as pessoas do sedentarismo total.

A depressão na terceira idade é um problema grave e crescente que costuma ser ignorado ou confundido erroneamente como um processo natural do envelhecimento. O professor Brendon Stubbs, do King’s College London e orientador da pesquisa, explica que os idosos formam um grupo mais vulnerável à doença devido ao isolamento social e à perda progressiva da autonomia. Ele reforça que o melhor exercício para a mente é aquele que a pessoa gosta de fazer e consegue manter na rotina. Atividades que envolvem o convívio social e que dão flexibilidade para o idoso ajustar a intensidade conforme seu bem-estar físico são as que apresentam as maiores taxas de sucesso e adesão ao longo dos anos.

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