quinta, 12 de março de 2026

Ex-vereador atropela vereadores na Câmara de Votuporanga

A Câmara Municipal de Votuporanga foi palco de um embate jurídico e político recentemente. Após ter seu acesso à Tribuna Livre inicialmente barrado por líderes partidários e vereadores, o advogado e ex-vereador Heri Kattwinkel Junior, obteve um mandado de segurança na Justiça para garantir seu direito constitucional de fala na “casa do povo”. O pronunciamento, cercado de expectativa, focou em denúncias sobre a falta de vagas em creches e o que o orador classifica como má gestão das prioridades financeiras do município.

Conflito na “Casa do Povo”

Heri criticou duramente a tentativa de silenciá-lo, classificando a atitude de alguns parlamentares como “covarde e antidemocrática”. Segundo ele, o bloqueio violou tanto o regimento interno da Câmara quanto preceitos constitucionais, sendo necessária a intervenção judicial para assegurar o uso da palavra. “A casa do povo parece que não é tão casa do povo assim como querem alguns vereadores”, afirmou, sugerindo que o impedimento se deu pelo receio do trabalho que ele vem desenvolvendo junto à população.

A Crise das Creches e o Dilema das Mães

O ponto mais sensível do discurso envolveu o déficit de vagas em creches. Contrariando informações veiculadas na mídia local de que o atendimento estaria garantido, o orador relatou que recebe diariamente em seu escritório entre 10 a 15 famílias desesperadas por uma vaga.

A falta de assistência estatal tem gerado situações extremas, onde mães precisam escolher entre trabalhar ou cuidar dos filhos. Foram apresentados relatos de patrões ameaçando demissões caso as funcionárias não compareçam ao trabalho por falta de lugar para deixar as crianças. De acordo com o orador, a atuação jurídico-política já foi o único caminho para garantir que 187 famílias não perdessem seus empregos devido a essa negligência na gestão.

Questionamentos sobre o Orçamento Municipal

Além da educação, a gestão dos recursos públicos foi alvo de críticas severas. O orador destacou três pontos principais de descontentamento:

Cargos Comissionados: A aprovação recente de 27 cargos com impacto orçamentário de quase R$ 7 milhões em três anos. Ele sugere que a demissão desses cargos permitiria a contratação de mais de 40 ou 50 professores, suprindo a demanda atual.

Eventos vs. Educação: O destino de cerca de R$ 3,5 milhões para a contratação de shows, enquanto o problema das creches permanece sem solução. “Não adianta inaugurar uma creche se eu não tenho professor para dar aula”, pontuou.

Tarifas de Serviços: A população tem reclamado de aumentos considerados abusivos nas tarifas de água e esgoto.

Ao encerrar, Heri questionou a ética da gestão atual, perguntando se o objetivo é “encher bolso de empresário” ou garantir o básico para o cidadão votuporanguense. O caso levanta um debate profundo sobre a transparência administrativa e a real prioridade dos investimentos públicos na cidade.

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