


O Ministério Público de São José do Rio Preto deu um passo importante na investigação sobre o uso irregular do parque Cidade das Crianças como estacionamento pago. Nesta quarta-feira, o ex-secretário de Finanças da Câmara, José Luis Pereira, e a presidente da associação beneficiada, Efigênia Cristina Oliveira, não compareceram aos depoimentos marcados. Apesar das ausências, o promotor Carlos Romani afirmou que documentos enviados pela Prefeitura e a prestação de contas da entidade já esclarecem boa parte das dúvidas, o que pode até tornar desnecessária uma nova convocação do ex-secretário.

O caso veio à tona após denúncias de que o espaço público foi explorado comercialmente durante o show da banda Guns N’ Roses, realizado em abril. Na ocasião, motoristas pagaram R$ 100 por vaga, e o dinheiro era enviado via PIX diretamente para a conta pessoal de José Luis Pereira. A investigação aponta que a autorização para o uso do local foi dada de forma direta pelo então secretário de Esportes, Klebinho Kizumba, para uma associação de Guaraci (SP), sem qualquer processo de seleção pública ou transparência, ferindo as regras de uso de bens municipais.
Segundo os documentos analisados pelo MP, a prefeitura liberou o parque apenas um dia antes do evento, mesmo sem a entidade possuir o título de utilidade pública exigido por lei. A associação alegou que os R$ 11,2 mil arrecadados seriam usados em um projeto esportivo para crianças, mas a prestação de contas foi feita de forma manuscrita e o repasse do dinheiro, que estava na conta do ex-secretário, só ocorreu dois dias depois do show. O Ministério Público suspeita que o cargo público tenha sido usado para obter vantagem econômica indevida.










A repercussão do escândalo provocou uma limpa nos cargos de confiança envolvidos: tanto José Luis Pereira quanto Klebinho Kizumba pediram para sair de suas funções logo após as primeiras denúncias. Kizumba, que voltou a ocupar sua cadeira de vereador, tem depoimento marcado para o dia 15 de junho. O promotor reforça que o desligamento dos cargos não livra os envolvidos de serem punidos caso fiquem comprovadas irregularidades na gestão do patrimônio público e no desvio de finalidade do parque infantil.
























