

O ex-procurador-geral de Justiça interino de São Paulo, Plínio Gentil, negou publicamente ter usado sua influência para reabrir as investigações que envolvem a compra de imóveis ligados ao prefeito de São José do Rio Preto, Fábio Candido. Em entrevista, Gentil explicou que sua única atuação no episódio foi receber e encaminhar documentos entregues por vereadores ao Ministério Público (MP). Ele destacou que o caso acabou arquivado enquanto ele ocupava temporariamente a chefia da instituição — cargo em que permaneceu por cinco semanas —, e que a posterior ordem para dar continuidade às apurações foi tomada por outro profissional, quando ele já havia deixado o posto máximo do órgão.

O ex-procurador rechaçou as acusações de que teria tentado prejudicar o atual prefeito por motivações pessoais ou políticas, classificando os boatos como fofocas maldosas. Com uma trajetória de 45 anos de serviços prestados ao Ministério Público e uma carreira que considera impecável, Gentil afirmou possuir todos os papéis oficiais que comprovam os períodos de sua gestão e informou que estuda tomar medidas judiciais contra as insinuações. A polêmica começou a circular após uma reportagem sugerir que o magistrado teria articulado o andamento das denúncias nos bastidores.
A reviravolta no caso envolveu duas posições diferentes por parte do Ministério Público. Inicialmente, no começo de abril, a Procuradoria de Justiça arquivou o pedido feito por um grupo de vereadores que questionava a compra de uma casa em um condomínio fechado feita pelo irmão do prefeito, sob o argumento de que não havia provas de irregularidades ou da participação direta de Fábio Candido no negócio. Contudo, em maio, novos elementos surgiram após o depoimento do antigo dono de um sítio no distrito de Talhado, que afirmou ter vendido a propriedade por cerca de R$ 600 mil. Diante disso, a Procuradoria-Geral de Justiça abriu um inquérito, suspeitando que os valores registrados nas escrituras da casa e do sítio fossem menores do que os valores reais pagos. A apuração agora está nas mãos da Delegacia Seccional de Rio Preto.
Paralelamente à sua vida nos tribunais, Plínio Gentil tem um histórico de envolvimento na política local, tendo concorrido a deputado federal e a vice-prefeito em eleições passadas. Atualmente focado na vida acadêmica, ele foi agraciado recentemente com o título de Cidadão Honorário Rio-pretense na Câmara Municipal. Do outro lado da disputa, o prefeito Fábio Candido declarou estar totalmente tranquilo em relação à nova investigação. Em nota oficial, o governante assegurou que todos os seus bens materiais foram adquiridos de forma honesta e são compatíveis com os salários que recebeu durante seus anos de atuação na Polícia Militar e na administração pública, colocando-se à disposição da Justiça para provar a sua inocência.







