terça, 5 de maio de 2026

Ex-presidente do BRB sinaliza interesse em delação premiada no caso Banco Master

Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), manifestou oficialmente ao Supremo Tribunal Federal (STF) o desejo de colaborar com as investigações sobre o esquema envolvendo o Banco Master. Por meio de uma petição enviada ao ministro André Mendonça, a defesa do ex-executivo informou que estuda firmar um acordo de delação premiada. O objetivo de Costa seria apresentar informações e provas inéditas antes de outros envolvidos, como o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, o que poderia lhe garantir benefícios jurídicos mais significativos.

Os advogados de Costa, no entanto, condicionam o avanço das conversas à transferência do cliente do Complexo Penitenciário da Papuda, onde ele se encontra detido desde o dia 16 de abril. Segundo a defesa, a unidade prisional não oferece a estrutura e o sigilo necessários para que o ex-presidente do BRB possa manusear documentos e conversar reservadamente com seus representantes legais. Eles argumentam que a confidencialidade é um pilar essencial para o sucesso de uma delação e pedem que o magistrado autorize a mudança para um ambiente que assegure esse direito.

O caso investigado pela Operação Compliance Zero apura suspeitas de um esquema bilionário de fraude e corrupção. As investigações indicam que o Banco Master teria realizado vendas irregulares de títulos financeiros e que negociações com o BRB podem ter servido para desviar recursos e favorecer interesses particulares. Paulo Henrique Costa é suspeito de ter recebido aproximadamente R$ 146 milhões em propina para facilitar esses negócios. O Banco Central chegou a barrar a tentativa de compra de 58% do Master pelo BRB após identificar indícios de irregularidades no processo.

Apesar da disposição para colaborar, a situação jurídica de Costa permanece delicada. Na última sexta-feira (24), a Segunda Turma do STF confirmou, por unanimidade, a manutenção de sua prisão preventiva, sob o entendimento de que a medida é necessária para o andamento das apurações. Com a sinalização da defesa, a Justiça agora deve avaliar se as informações oferecidas pelo ex-presidente do banco possuem utilidade técnica para o processo, o que definirá os próximos passos de um dos casos financeiros mais complexos da atualidade.

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