

O ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, está em uma fase avançada de negociações com as autoridades para fechar um acordo de delação premiada. Detido desde o dia 16 de abril durante os desdobramentos da Operação Compliance Zero, o ex-gestor conseguiu há cerca de dez dias uma autorização para deixar o presídio da Papuda e ser transferido para a Papudinha, uma ala com regime diferenciado. O movimento estratégico sinaliza o início de sua colaboração com o Poder Judiciário.

A expectativa de fontes ligadas ao caso é de que Paulo Henrique assine, ainda no decorrer desta semana, um termo de confidencialidade com a Polícia Federal e com a Procuradoria-Geral da República. Esse procedimento é um passo obrigatório e fundamental no rito da delação, servindo para impor regras de sigilo absoluto sobre os dados compartilhados. A medida protege o investigado e garante que o andamento das apurações não seja prejudicado por vazamentos. Somente após essa assinatura formal é que os advogados de defesa e os investigadores começam a detalhar as denúncias de forma profunda.
Assim que o documento for oficializado, o ex-presidente do banco deverá apontar os nomes de outros possíveis envolvidos no esquema e negociar os benefícios de sua pena. Para que o acordo tenha validade jurídica e seja homologado pela Justiça, os relatos de Paulo Henrique precisam obrigatoriamente trazer revelações inéditas e apresentar provas concretas que possam ser checadas pelos policiais. Ele é suspeito de ter recebido cerca de R$ 146 milhões em propinas para favorecer interesses de empresas privadas dentro da instituição pública.
O foco central da investigação é a aproximação financeira entre o BRB e o Banco Master, que começou quando a instituição estatal aprovou a compra de 58% do banco privado pertencente ao empresário Daniel Vorcaro. No entanto, o negócio acabou sendo barrado pelo Banco Central devido a fortes indícios de fraude e corrupção. O monitoramento feito pelos órgãos de fiscalização aponta que o Master teria operado um esquema bilionário de venda de títulos financeiros sem deixar rastros e que as transações com o banco público do Distrito Federal teriam servido para desviar dinheiro e beneficiar ilegalmente particulares.







