terça, 16 de junho de 2026

Ex-policial expulso por sequestro é preso em Cardoso por ligação com o PCC

Um ex-policial civil de 50 anos foi preso na manhã desta terça-feira, dia 9 de junho de 2026, no município de Cardoso, no interior paulista. A prisão aconteceu durante a Operação Infiltrados, uma grande ação liderada pelo Ministério Público para desarticular uma rede que passava informações sigilosas para a facção criminosa Primeiro Comando da Capital. Logo após ser localizado pelos agentes, o homem foi conduzido para a Central de Flagrantes na Delegacia de Plantão de Votuporanga. O investigado já tem um histórico de problemas com a Justiça, tendo sido expulso da corporação em Campinas há alguns anos por envolvimento em um crime de extorsão mediante sequestro.

A ofensiva desta terça-feira cumpriu ao todo três mandados de prisão temporária e dez de busca e apreensão, divididos entre as cidades de Cardoso e Campinas. Além do ex-policial capturado na região, a operação prendeu um ex-estagiário do próprio Ministério Público e um atual chefe de investigadores da Polícia Civil. De acordo com as investigações, o trio atuava infiltrado para ajudar a facção criminosa e estava diretamente envolvido em um plano ousado para assassinar um promotor de Justiça do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, o Gaeco, além de usar informações privilegiadas para extorquir pessoas que eram alvo de investigações.

Os detalhes levantados pelo Ministério Público apontam que o ex-estagiário usava seu acesso aos computadores do órgão para pesquisar dados sigilosos sobre criminosos. Com essas informações em mãos, ele cobrava propinas altas das vítimas em troca de uma falsa promessa de proteção ou facilitação nos processos judiciais, esquema que contava com o apoio de um policial penal e do ex-policial capturado em Cardoso. Em outra linha da mesma fraude, o chefe de investigadores que acabou preso é suspeito de receber dinheiro vivo para alertar um grande traficante sobre os passos e as operações planejadas pela polícia.

Toda essa mobilização é um desdobramento de duas grandes investigações iniciadas no ano passado, as operações Pronta Resposta e Off White, que mapearam a lavagem de dinheiro e as ameaças criadas pelo PCC contra autoridades locais. Por envolver suspeitos de diferentes áreas da segurança pública, os mandados foram acompanhados de perto pelas Corregedorias das Polícias Civil e Penal, por equipes do Batalhão de Ações Especiais da Polícia Militar e por representantes da Ordem dos Advogados do Brasil, que fiscalizaram as buscas feitas em um escritório de advocacia. O Gaeco informou que os trabalhos continuam para analisar celulares e documentos apreendidos, buscando limpar as instituições de maus profissionais e garantir a total transparência nos serviços prestados à população.

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