terça, 7 de julho de 2026

Evento em Fernandópolis debate o combate às drogas e alerta para o perigo da automedicação

O Teatro Municipal “Merciol Viscardi” sediou, nesta segunda-feira, dia 29 de junho, a abertura das comemorações do Dia Internacional contra o Abuso e o Tráfico Ilícito de Drogas. O evento contou com uma palestra do médico psiquiatra Marcelo Scalise, que trouxe dados alarmantes e fez um forte apelo sobre a importância do apoio afetivo no ambiente doméstico, destacando que a ausência de uma estrutura familiar sólida muitas vezes empurra os indivíduos para o caminho das drogas nas ruas. O especialista contextualizou a gravidade do problema apontando que o Brasil lidera o ranking mundial de usuários de crack e ocupa a segunda posição no consumo de cocaína.

A nível local, a realidade do vício também exige atenção constante das políticas de saúde. Segundo informações da enfermeira Maísa Borges de Oliveira, coordenadora do Centro de Atenção Psicossocial – Álcool e Drogas (CAPS AD) de Fernandópolis, o município atende hoje aproximadamente 300 pessoas em tratamento. Esse total engloba tanto usuários de substâncias ilícitas quanto dependentes de drogas lícitas, como as bebidas alcoólicas. A iniciativa faz parte da campanha “Junho Branco”, que busca engajar a sociedade civil na construção de uma rede comunitária pautada no diálogo e no acolhimento.

Durante a sua apresentação, o psiquiatra manifestou grande preocupação com os altos índices de consumo de álcool no país, revelando que cerca de 20% das pessoas que bebem acabam desenvolvendo algum nível de dependência. Embora reconheça o avanço da medicina na criação de remédios eficazes para tratar os vícios — citando melhorias práticas no tratamento da dependência de maconha e os testes promissores da vacina Calixcoca contra os efeitos da cocaína —, o médico reforçou que o suporte social deve vir em primeiro lugar. Para ele, o acolhimento da família e o investimento em lazer, esportes e projetos públicos para os jovens são as ferramentas preventivas mais eficientes.

Além das substâncias ilícitas, o encontro abriu espaço para discutir os sérios riscos da automedicação. A farmacêutica Vanessa Rizzato trouxe dados preocupantes ao revelar que nove em cada dez brasileiros têm o hábito de tomar remédios por conta própria, o que coloca o país no topo do ranking global de episódios de intoxicação. Esse costume nocivo provoca a morte de cerca de 20 mil pessoas por ano no Brasil, além de mascarar os sintomas de doenças graves e atrasar a busca por diagnósticos médicos adequados. O evento contou ainda com a participação da psicóloga Bruna Carrara, que expôs a rotina de acolhimento do CAPS AD, bem como de representantes da Pastoral da Sobriedade e da Comunidade Terapêutica de Estrela d’Oeste, consolidando um amplo espaço de debate focado em prevenção e reinserção social.

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