


Uma pesquisa inédita realizada pelo Instituto de Estudos da Religião (Iser) em parceria com a Quaest revelou que a ampla maioria dos cristãos brasileiros rejeita a transformação de templos religiosos em palanques políticos. O levantamento “Religião e Vida Pública no Brasil”, que ouviu 15 mil pessoas em mais de 400 municípios, apontou que 83% dos entrevistados são contrários à indicação de voto por parte de pastores e padres, enquanto 82% condenam debates eleitorais durante os cultos e 90% rejeitam propaganda partidária dentro das igrejas.

De acordo com analistas do Iser, a atuação política da religião no país tem migrado do púlpito tradicional para espaços digitais e de convivência, funcionando mais como mediação de valores e identidades do que como transferência direta de votos. As redes sociais e os aplicativos de mensagens, a exemplo do WhatsApp, passaram a ser as principais ferramentas de circulação de conteúdos e opiniões, permitindo que a discussão sobre o pleito chegue aos fiéis de forma pulverizada, sem necessitar da orientação formal das lideranças e preservando o ambiente presencial dos cultos após divisões internas registradas em eleições anteriores.
O estudo traz ainda uma radiografia do campo evangélico, que representa 29% da população brasileira e apresenta grande diversidade interna. Desse universo, 70% declaram-se pentecostais e a Assembleia de Deus permanece como a maior denominação individual do segmento, reunindo 32% dos fiéis. A pesquisa também demonstrou que, em temas práticos de políticas públicas, há convergência entre diferentes religiões, com expressivo apoio a programas de transferência de renda, educação sexual nas escolas para prevenção do abuso, vacinação universal e manutenção do ensino público tradicional.









