segunda, 24 de agosto de 2026

Estudo revela que tabaco aquecido e cigarro convencional agravam danos ao sistema imunológico

Uma pesquisa inédita conduzida na Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP revelou que o uso de produtos de tabaco aquecido pode ser tão ou mais prejudicial ao sistema imunológico do que o cigarro convencional. O trabalho, desenvolvido pelo biomédico Pablo Scharf sob orientação da professora Sandra Farsky, analisou como a nicotina presente em diferentes dispositivos altera o comportamento das células de defesa e agrava quadros de neurodegeneração e doenças autoimunes, como a esclerose múltipla.

Diferente dos cigarros tradicionais — que funcionam por combustão — e dos cigarros eletrônicos (vapes), os dispositivos de tabaco aquecido (conhecidos pela sigla HTPs) apenas aquecem o tabaco a temperaturas mais baixas. Embora sejam frequentemente comercializados com o apelo de “redução de danos”, o estudo demonstrou que a ausência de fumaça não elimina os riscos à saúde, especialmente entre jovens e adultos jovens, que representam os principais consumidores desses novos aparelhos.

Durante os testes em laboratório, que envolveram modelos animais, amostras de sangue humano e testes alternativos com pequenos organismos, os pesquisadores constataram que tanto o cigarro comum quanto o tabaco aquecido reprogramam a função das células imunológicas. Em camundongos induzidos a um quadro semelhante à esclerose múltipla, a exposição prévia a ambos os produtos acelerou a evolução da doença. Em alguns parâmetros específicos, o tabaco aquecido chegou a induzir um perfil mais inflamatório no sistema nervoso central do que o fumo tradicional.

As análises em células humanas doadas por pacientes saudáveis e por pessoas diagnosticadas com esclerose múltipla reforçaram o alerta. Enquanto o cigarro mostrou um efeito pro-inflamatório generalizado, o tabaco aquecido apresentou reações opostas, mas igualmente nocivas: provocou imunossupressão em indivíduos saudáveis — deixando o organismo vulnerável a infecções — e hiperativou as células de defesa nos pacientes já portadores da doença autoimune. Os resultados indicam que a nicotina contida nos dispositivos altera diretamente a biologia dos linfócitos, reforçando a preocupação dos especialistas quanto aos impactos reais desses produtos no organismo.

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