sábado, 10 de outubro de 2026

Estudo revela exploração e precarização do trabalho na fruticultura do Brasil

A prosperidade da fruticultura brasileira, que movimenta cerca de R$ 15 bilhões por ano com as cadeias de manga, uva e maçã, esconde um cenário de profunda vulnerabilidade e violação de direitos trabalhistas no campo. É o que aponta o levantamento “Dinâmicas do Trabalho Assalariado Rural”, realizado pela Oxfam Brasil em parceria com a Molina Consulting. A pesquisa analisa as condições de trabalho no Vale do São Francisco, entre Pernambuco e Bahia, e na Serra Gaúcha, no Rio Grande do Sul, demonstrando como o crescimento financeiro do agronegócio de exportação se apoia na exploração contínua da mão de obra.

O relatório destaca que a rotatividade e a informalidade são marcas registradas do setor, onde contratos temporários funcionam como mecanismo de descarte de trabalhadores após os períodos de safra e colheita. Em 2024, de mais de 117 mil contratações formais registradas nas regiões pesquisadas, cerca de 60% foram rescindidas antes do encerramento do ano. Além da instabilidade financeira e da falta de proteção previdenciária, os rurais enfrentam jornadas exaustivas de mais de 16 horas diárias, temperaturas extremas, avanço da mecanização sem requalificação e subnotificação de casos de adoecimento por contaminação de defensivos agrícolas ou acidentes de trabalho.

A desigualdade no setor também se reflete nos aspectos de raça e gênero, situando a mulher negra na base salarial da categoria com rendimentos médios significativamente inferiores aos dos homens brancos nas mesmas funções. A pesquisa defende o fortalecimento das entidades sindicais rurais para viabilizar negociações coletivas e a ampliação urgente da fiscalização por parte do Ministério Público do Trabalho, apontando que a escassez de auditores-fiscais e a previsibilidade das inspeções contribuem para a perpetuação de irregularidades nas propriedades agrícolas.

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