


Um levantamento divulgado nesta quarta-feira (30) pelas organizações de direitos humanos Terra de Direitos e Justiça Global revelou que o Brasil registrou 354 casos de violência política entre outubro de 2024 e agosto de 2026, consolidando o período pré-eleitoral mais violento da última década. A média de uma ocorrência a cada 44 horas atinge majoritariamente ocupantes de cargos públicos municipais e evidencia um cenário de ameaça direta ao funcionamento das instituições democráticas do país.

O relatório destaca um recorte severo de gênero e raça no ambiente político. Embora ocupem apenas 18% das cadeiras legislativas nacionais, as mulheres foram vítimas de 50,6% de todos os episódios catalogados, sendo o alvo principal de violências simbólicas, ofensas, ameaças de conotação sexual e ataques motivados por preconceito racial. Em contrapartida, os homens concentraram 77,2% dos casos de violência física grave, como agressões, atentados e assassinatos. A pesquisa ressalta ainda que as agressões atingiram diretamente vereadores e prefeitos em 63% das ocorrências, evidenciando a vulnerabilidade dos mandatos locais.
Apesar da alta incidência e da formalização de denúncias em 84,5% dos episódios, a impunidade permanece como um dos principais obstáculos para conter as agressões. Apenas 13% dos casos possuem investigações policiais ou processos judiciais em andamento, e somente 2,5% resultaram em responsabilização efetiva dos agressores. Especialistas apontam que a ausência de punições rigorosas e o envolvimento de agentes públicos ou detentores de mandato em parte das agressões inibem a participação de novos grupos na política e enfraquecem a representatividade na gestão pública.









