

Um novo levantamento divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego revelou que a maior parte dos jovens brasileiros está inserida no mercado de trabalho ou dedicada aos estudos. Dos 32,9 milhões de cidadãos com idade entre 14 e 24 anos registrados no primeiro trimestre de 2026, 13,9 milhões estavam trabalhando, enquanto o grupo que apenas estuda somava 12,8 milhões. Outros 4,3 milhões conseguiam conciliar as duas atividades. Por outro lado, a pesquisa acendeu um alerta ao apontar que 6,2 milhões de pessoas nessa faixa etária se encontram na condição de “nem-nem”, ou seja, atualmente estão fora tanto das salas de aula quanto do mercado de trabalho.

O estudo, chamado Diagnóstico da Juventude Brasileira, cruzou dados oficiais do IBGE e do governo federal para traçar o perfil dessa população. De acordo com a análise, o nível de escolaridade dos jovens é o maior já registrado no país, com quase três quartos deles possuindo pelo menos o ensino médio completo. No entanto, o grande desafio atual não é mais o acesso à educação, mas sim transformar esses diplomas e a falta de experiência em vagas de qualidade, que ofereçam estabilidade e boa remuneração. O mercado de trabalho exige cada vez mais o ensino médio como requisito mínimo, inclusive nas atividades agrícolas e rurais.
Apesar dos avanços, a permanência no primeiro emprego ainda é um obstáculo. Mais da metade dos trabalhadores adolescentes com até 17 anos não fica nem doze meses no mesmo posto, enquanto quase 40% dos jovens de 18 a 24 anos também saem da empresa antes de completar um ano. Especialistas do ministério apontam que esse cenário de alta rotatividade acontece porque o emprego juvenil está muito concentrado em funções de baixa especialização e com salários próximos ao piso nacional, principalmente nos setores de comércio e serviços. As vagas de balconistas, vendedores e escriturários lideram as contratações. Além disso, falta acolhimento e treinamento adequado por parte das chefias para orientar quem está começando a vida profissional.


Embora o desemprego entre os jovens tenha caído pela metade desde o pior momento da pandemia em 2021, a taxa de desocupação para quem tem entre 18 e 24 anos ainda é de 13,8%. O índice representa mais que o dobro da média geral de desemprego no país, que se mantém em 5,8%. A pesquisa também desmistificou a ideia de que as novas gerações rejeitam o regime de carteira assinada, já que quase 58% dos jovens ocupados possuem vínculos formais de trabalho. O que essa parcela da população busca, na verdade, são ambientes profissionais com mais diálogo, flexibilidade de horários para os dias de provas e lideranças mais compreensivas.







