terça, 11 de agosto de 2026

Estudo inédito traça raio-X das hepatites virais e apoia metas do SUS para 2030

Uma pesquisa abrangente realizada por especialistas do Einstein Hospital Israelita analisou 200 trabalhos científicos publicados entre 2013 e 2024, compilando dados de mais de 14,5 milhões de pessoas para construir um panorama atualizado sobre as hepatites virais no Brasil. O levantamento integra o projeto de Caracterização de Hepatites Virais em Populações Vulnerabilizadas, financiado por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS). Divulgado na revista científica internacional PLOS ONE, o mapeamento traz informações estratégicas sobre os tipos A, B, C, D e E com o objetivo de subsidiar políticas públicas para a eliminação das infecções como problema de saúde pública até 2030.

O diagnóstico destaca dinâmicas e perfis de transmissão específicos para cada tipo do vírus no território nacional. A hepatite A, caracteristicamente transmitida por via fecal-oral através de água e alimentos contaminados, continua presente na região Amazônica, Norte e Nordeste. No entanto, o estudo alerta para o reaparecimento da doença em homens adultos nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste motivado pelo contato oral-anal durante relações sexuais, evidenciando a necessidade de expandir a vacinação gratuita para faixas etárias acima dos 18 anos.

Já as hepatites B e C apresentam taxas elevadas de prevalência ligadas ao contato sexual desprotegido, à transmissão de mãe para filho durante a gestação e ao compartilhamento de seringas no uso de drogas injetáveis. Embora o Brasil tenha avançado no controle da transmissão vertical da hepatite B, o tipo C permanece como um desafio por não possuir vacina, ainda que ofereça tratamentos modernos capazes de curar mais de 95% dos casos. Ambas as formas estão diretamente associadas ao risco de complicações graves a longo prazo, como a cirrose e o câncer hepático.

Entre os tipos menos diagnosticados, a hepatite D (ou Delta) revela-se um grave problema de saúde pública concentrado na região Amazônica e em comunidades ribeirinhas. Por dependente do vírus B para se infectar, a hepatite D costuma provocar formas fulminantes da doença e sofre com a falta de diagnóstico em locais isolados. Paralelamente, a hepatite E surge associada ao manuseio e consumo de suínos, configurando uma zoonose com maior presença na Região Sul devido à concentração da suinocultura local.

Os dados consolidados indicam variações marcantes entre a população em geral e grupos em situação de maior vulnerabilidade, como pessoas privadas de liberdade, imigrantes e usuários de substâncias ilícitas. Os pesquisadores e coordenadores do projeto ressaltam que o cruzamento dessas estatísticas servirá de guia para gestores do SUS no direcionamento de campanhas de vacinação, distribuição de testes rápidos e oferta de tratamentos específicos nas regiões de maior risco epidemiológico.

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