quarta, 22 de julho de 2026

Estudo inédito identifica bactéria causadora de doença grave em peixes de cultivo no Brasil

Um estudo publicado na revista científica Microbial Pathogenesis identificou, pela primeira vez no Brasil, a presença de diferentes espécies de bactérias do gênero Flavobacterium em peixes criados para o consumo humano. Esse microrganismo é o responsável por causar a columnariose, uma doença considerada grave que ataca os animais de criação. Os pesquisadores fazem questão de destacar que o alerta serve para proteger a saúde dos animais e a economia do setor, já que, até o momento, não existe nenhuma evidência de que a doença possa ser transmitida para os seres humanos.

A doença é devastadora para os peixes, provocando lesões na pele, ferimentos nas nadadeiras e destruindo as brânquias, órgão que os animais usam para respirar. Em criações comerciais, a infecção pode matar os peixes em poucos dias, sendo ainda mais agressiva e letal contra os indivíduos mais jovens. A pesquisa foi realizada por um grupo de cientistas da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em parceria com a Universidade Zambeze, de Moçambique, na África. Durante os trabalhos, os especialistas encontraram as bactérias tanto em tilápias quanto em peixes nativos bastante consumidos no país, como o tambaqui, pacu, lambari e o pintado-da-amazônia.

De acordo com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que financiou a bolsa de estudos da pesquisa, as bactérias foram identificadas após análises microbiológicas detalhadas em laboratório. As amostras utilizadas no mapeamento foram coletadas entre os anos de 2018 e 2024 em diferentes propriedades de piscicultura. Os testes revelaram que a proliferação dessas bactérias aumenta muito em águas com temperaturas próximas de 28°C, que são muito comuns em várias regiões produtoras do Brasil.

O grande problema dessa temperatura mais quente é que o microrganismo desenvolve uma alta capacidade de criar os chamados biofilmes, que funcionam como uma espécie de película protetora. Essa estrutura ajuda a bactéria a sobreviver por muito mais tempo grudada em tanques, redes e outros equipamentos de manejo. Diante dessa descoberta, os autores do estudo reforçam que o país precisa adotar medidas urgentes de monitoramento constante, aplicar regras rígidas de higiene e segurança nas fazendas de peixes e investir no desenvolvimento de vacinas específicas para evitar prejuízos na produção nacional de pescados.

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