segunda, 3 de agosto de 2026

Estudo indica que cesarianas aumentam em 45% o risco de tipo raro de câncer de placenta

Mulheres com histórico de cesariana apresentam um risco 45% maior de desenvolver a neoplasia trofoblástica gestacional, um tipo raro de tumor maligno que surge no útero a partir de células placentárias. A conclusão é de uma pesquisa pioneira liderada por cientistas da Maternidade Escola da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com o Centro de Doença Trofoblástica da Nova Inglaterra, vinculado à Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.

A neoplasia trofoblástica é a complicação mais grave da mola gestacional — uma falha na fertilização que resulta no crescimento de uma massa anômala de placenta. Em até 20% das ocorrências de mola, as células infiltrantes invadem o tecido uterino e evoluem para o câncer. No Brasil, essa condição gera cerca de 2,9 mil novos diagnósticos anuais de neoplasia. Fatores como idade acima de 40 anos e altos níveis do hormônio HCG já eram associados ao avanço do tumor, mas o estudo demonstrou que a cicatriz de cirurgias uterinas prévias atua como um fator de risco independente.

A investigação analisou dados de quase 3 mil pacientes atendidas entre 2002 e 2022 no Brasil e nos Estados Unidos. A principal hipótese dos especialistas é que o corte cirúrgico no útero altera o sistema imune local, afeta a vascularização e gera fibrose, fragilizando a região e facilitando a proliferação das células tumorais. O achado ganha especial relevância no Brasil, onde a taxa de partos por cesárea atinge cerca de 55%, valor muito superior ao limite de 15% recomendado pela Organização Mundial da Saúde. De acordo com os autores, reduzir esse percentual cirúrgico no país poderia evitar cerca de 177 casos de câncer placentário a cada ano.

Apesar do alerta, os pesquisadores enfatizam que o histórico de cesariana não exige tratamentos quimioterápicos mais agressivos, mas sim uma vigilância médica reforçada assim que a mola gestacional é diagnosticada. O acompanhamento contínuo possibilita a identificação precoce da doença e a aplicação dos protocolos adequados de recuperação.

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