domingo, 5 de julho de 2026

Estudo da USP revela que exercício aeróbico combate perda de massa muscular e freia tumores

Uma pesquisa inovadora desenvolvida na Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo (USP) trouxe novas descobertas sobre o combate à caquexia associada ao câncer, uma síndrome metabólica grave que provoca a perda progressiva de massa muscular e piora o quadro geral do paciente. Diferente da desnutrição comum, a caquexia cria um estado de resistência no organismo, onde a inflamação causada pelo tumor impede que o corpo aproveite os nutrientes ingeridos, tornando apenas a alimentação insuficiente para reverter a perda de peso. O estudo demonstrou que o treinamento físico aeróbico funciona como um estímulo essencial para quebrar essa barreira e reativar a construção dos músculos, além de conseguir desacelerar o crescimento do próprio tumor.

A investigação, conduzida pela pesquisadora Ailma Oliveira da Paixão durante seu doutorado sob a orientação da professora Patrícia Chakur Brum, identificou que esses benefícios dependem diretamente do funcionamento de uma enzima chamada Heme oxigenase-1 (HO-1), conhecida por suas propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. Realizado em modelos animais, o experimento consistiu em submeter camundongos a uma rotina de exercícios aeróbicos de 60 minutos, cinco vezes por semana, antes e depois do desenvolvimento do tumor. Os resultados mostraram que os animais que se exercitaram apresentaram uma musculatura muito mais preservada e uma redução notável no ritmo de crescimento do tumor em comparação com o grupo que permaneceu sedentário.

Para entender a fundo o papel da enzima nesse processo, a segunda fase da pesquisa foi realizada em parceria com a Escola de Medicina de Harvard, nos Estados Unidos, onde os cientistas desativaram geneticamente a HO-1 nos animais. O teste revelou que, sem a presença dessa enzima específica no tecido muscular, todos os efeitos protetores do exercício desapareceram: os camundongos voltaram a sofrer com a atrofia muscular intensa e os tumores voltaram a crescer rapidamente. Essa descoberta sugere que existe uma espécie de comunicação bioquímica direta entre o músculo exercitado e a doença, na qual os sinais disparados pela enzima ajudam a frear o avanço do câncer.

Embora o estudo tenha sido feito em laboratório com animais — o que exige cautela antes de transferir os resultados diretamente para tratamentos em seres humanos —, os dados abrem caminhos promissores para a medicina. A descoberta reforça a importância de incluir a atividade física como uma terapia complementar essencial no tratamento oncológico. No futuro, a compreensão detalhada desses mecanismos moleculares poderá ajudar no desenvolvimento de tratamentos combinados que unam medicamentos e treinos planejados, focados em manter o paciente forte e em controlar a evolução da doença.

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