segunda, 7 de setembro de 2026

Estudo da USP indica alternativa mais segura à reposição hormonal tradicional na menopausa

Pesquisadores do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (IQ-USP) demonstraram que é possível reequilibrar as alterações metabólicas causadas pela queda do estrogênio na menopausa sem estimular o crescimento de tecidos reprodutivos. Em vez da reposição hormonal convencional, a equipe testou com sucesso uma abordagem pontual que ativa exclusivamente o receptor de estrogênio beta (ERβ) nas células. A estratégia oferece os benefícios metabólicos do tratamento tradicional, mas elimina os riscos de proliferação celular no útero e nas mamas, um avanço importante para mulheres com histórico ou predisposição genética a tumores sensíveis a hormônios.

A queda natural do estrogênio desorganiza o metabolismo energético do organismo, elevando o acúmulo de gordura visceral, a resistência à insulina e o risco de doenças cardiovasculares e diabetes. Ao testar a nova substância em um modelo experimental com ratas, os cientistas observaram uma ampla reprogramação no funcionamento do fígado e do pâncreas. O tratamento normalizou os níveis de glicose em jejum, regulou as taxas de colesterol e triglicerídeos no sangue e reduziu o tamanho das células de gordura, tudo sem causar qualquer alteração no tecido uterino das cobaias.

Um dos principais destaques da descoberta ocorreu no fígado, órgão fortemente impactado pelo fim da produção hormonal. A ativação específica do receptor ERβ fez com que as células hepáticas queimassem os ácidos graxos de forma completa, eliminando a gordura acumulada e convertendo-a diretamente em gás carbônico. Embora o método não evite o ganho de peso comum nessa fase, ele melhora drasticamente a saúde metabólica. O grupo de pesquisadores da USP atua agora em novos testes focados na transição gradual da menopausa, buscando consolidar o tratamento como uma opção personalizada e mais segura para a saúde feminina.

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