

Um levantamento recente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) revela que a intensificação dos conflitos no Oriente Médio tem potencial para pressionar significativamente os preços no Brasil. De acordo com os dados apresentados nesta quarta-feira (8), a inflação brasileira pode sofrer uma alta de até 7,66% no pior cenário previsto. A principal preocupação dos economistas é o impacto direto no custo da energia e de insumos fundamentais para a produção nacional.

A análise da federação trabalhou com três níveis de gravidade para o conflito, focando especialmente no Estreito de Ormuz. Essa região é um ponto estratégico para a economia global, pois por ela circula aproximadamente 20% de todo o petróleo consumido no mundo. Os pesquisadores estimam que uma redução na oferta de produtos que passam por esse canal afetaria o mercado brasileiro de formas distintas, dependendo se o bloqueio nas exportações for moderado, severo ou extremo.
O estudo destaca que, embora a atividade econômica brasileira tenha uma certa capacidade de resistir ao choque sem sofrer grandes quedas na produção, os preços ao consumidor sentiriam o impacto de forma intensa. Isso acontece porque o Brasil depende fortemente de produtos importados, como fertilizantes para o agronegócio e componentes químicos, cujos preços disparariam com o aumento dos custos logísticos e da energia. Setores que dependem de matérias-primas internacionais seriam os primeiros a repassar esses custos para os produtos finais.
Nos números detalhados pela Fiemg, um cenário mais controlado elevaria a inflação em 2,29%, com uma leve queda de 0,04% no desempenho da economia. Em uma situação intermediária, a alta dos preços chegaria a 4,60%. Já no caso de uma interrupção total das passagens pelo Estreito, o índice inflacionário atingiria o teto de 7,66%, acompanhado de um recuo de 0,12% na atividade econômica do país, reforçando a vulnerabilidade do mercado doméstico diante de crises externas de grande magnitude.









