sexta, 3 de julho de 2026

Estudo alerta para alta incidência de tabagismo e uso de vapes entre a população LGBTI+

Um levantamento apresentado pelo Instituto Nacional do Câncer revelou que a incidência de tabagismo entre pessoas homossexuais e bissexuais é 76% maior do que entre heterossexuais. Os dados, baseados nos microdados da Pesquisa Nacional de Saúde, mostram que 22,4% do primeiro grupo consomem produtos de tabaco, em comparação com 12,7% do segundo. O cenário é ainda mais alarmante quando analisados os dispositivos eletrônicos, conhecidos como vapes, cuja preferência entre a população homossexual e bissexual chega a ser quase seis vezes maior, embora o consumo elevado se repita em todos os tipos de derivados do tabaco.

Especialistas do instituto apontam que, embora o Brasil possua políticas consolidadas de combate ao fumo, é urgente cruzar essas ações com os programas de atenção à saúde da comunidade LGBTI+. O tabagismo é o principal desencadeador de problemas crônicos graves, como tumores, complicações respiratórias e doenças do coração, o que deve encurtar a expectativa e a qualidade de vida desse público caso não haja uma intervenção direcionada. Ativistas e gestores de saúde defendem a criação de protocolos específicos e o envolvimento de unidades de atendimento especializado, como as que realizam o processo transsexualizador, para acolher e ajudar esses pacientes a abandonarem o vício de forma efetiva.

A comunidade científica e o próprio mercado do tabaco já conhecem essa disparidade há algum tempo. Representantes do instituto explicam que as grandes empresas de cigarro utilizam estratégias disfarçadas de responsabilidade social, como o patrocínio de eventos voltados a esse público, para construir uma imagem positiva e promover seus produtos indiretamente. Outra tática muito usada pela indústria é a inserção de aromas e sabores atraentes nos cigarros eletrônicos. Essa nova roupagem transmite a falsa ideia de que o produto é menos prejudicial à saúde, funcionando como uma verdadeira isca para atrair os consumidores mais jovens.

Por trás dos números, o preconceito e a violência social surgem como os principais causadores do problema. Como a grande maioria dos fumantes inicia o hábito antes dos 19 anos, adolescentes que enfrentam a rejeição e a discriminação por sua orientação sexual ficam muito mais expostos a quadros de ansiedade e depressão, encontrando no cigarro, no álcool e em outras drogas uma válvula de escape. Relatos de coletivos que atendem a comunidade trans reforçam essa realidade, associando os picos de consumo de tabaco aos períodos em que os jovens sofrem episódios mais intensos de violência e exclusão.

Para enfrentar a escassez de dados detalhados e formular estratégias eficientes, o Ministério da Saúde implementou mudanças no Sistema Único de Saúde. O cadastro da rede de atenção primária, que atende a grande maioria dos brasileiros, passou a exigir o preenchimento obrigatório dos campos de orientação sexual e identidade de gênero pelos profissionais, desde que o paciente concorde em declarar de forma voluntária. Mesmo com os registros em fase de consolidação, os dados iniciais do SUS já confirmam a tendência, mostrando o dobro de fumantes entre homossexuais declarados. A expectativa é usar a capilaridade dos postos de saúde de todo o país para criar um ambiente de escuta qualificada e fortalecer a rede de apoio antitabagismo.

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