

O governo dos Estados Unidos anunciou uma nova rodada de sanções comerciais que pode afetar diretamente a economia brasileira. Após concluir uma investigação sobre a circulação global de mercadorias ligadas ao trabalho forçado, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) propôs a aplicação de tarifas adicionais de até 12,5% sobre produtos vindos de dezenas de nações. A medida, divulgada na terça-feira (2), baseia-se na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Essa é a mesma regra jurídica que os americanos utilizaram no dia anterior para justificar outra proposta de sobretaxa, de 25%, contra as exportações brasileiras. Até o momento, a Casa Branca não esclareceu se as duas tarifas serão somadas, o que poderia piorar ainda mais a situação dos exportadores do Brasil caso ambas as propostas sejam validadas.

De acordo com o relatório de Washington, 60 países falharam em criar regras rígidas para fiscalizar ou barrar a entrada de itens produzidos por meio de exploração laboral. Na visão das autoridades americanas, a ausência desses controles gera uma concorrência desleal que prejudica as indústrias e os trabalhadores dos Estados Unidos. Para tentar corrigir esse cenário, o governo americano dividiu os países afetados em dois grupos de punição. O primeiro bloco, que receberá uma taxa extra de 10%, reúne mercados que já possuem algum tipo de restrição parcial ou compromisso formal com o tema, incluindo a União Europeia, o Canadá, o México, a Indonésia, o Paquistão e o Equador.
O Brasil, no entanto, foi incluído no segundo grupo, considerado pelas autoridades americanas como o de economias sem sistemas eficazes de controle. Junto com gigantes como China, Índia, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido, Argentina e Arábia Saudita, o mercado brasileiro corre o risco de sofrer a penalidade máxima de 12,5% de tarifa extra. O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou publicamente que o país não vai mais tolerar que seus trabalhadores compitam em desvantagem devido a brechas na legislação de parceiros estrangeiros.
O documento emitido por Washington reconhece que o Brasil possui ferramentas importantes de combate ao trabalho escravo interno, como a famosa “Lista Suja”, além de assinar tratados internacionais sobre o assunto. Contudo, os analistas americanos argumentam que o governo brasileiro peca por não ter uma proibição clara e eficiente que impeça as empresas do país de importarem insumos fabricados com mão de obra forçada em outras partes do mundo. Por conta dessa fragilidade regulatória, a conduta nacional foi classificada como prejudicial ao comércio dos Estados Unidos. Apesar do sinal de alerta, a sobretaxa ainda não começou a valer. O governo americano vai abrir um período para receber opiniões e contestações do público e de empresas interessadas até o dia 6 de julho de 2026, seguido por uma série de audiências oficiais antes de tomar a decisão final.







