sábado, 1 de agosto de 2026

Estados de SP e SC sofrem maior impacto após “tarifaço” de 25% imposto pelos EUA

Os estados de São Paulo e Santa Catarina serão as principais vítimas econômicas do novo pacote de taxas alfandegárias anunciado pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros. Juntas, as duas regiões concentram mais da metade de todo o prejuízo estimado em território nacional. De acordo com a Agência Brasileira para Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), ligada ao Ministério de Desenvolvimento, Comércio e Indústria, o imposto adicional de 25% vai atingir diretamente 7,4 bilhões de dólares em mercadorias vendidas, sendo que, desse total, 3 bilhões de dólares correspondem a produtos fabricados em solo paulista.

Embora São Paulo lidere em termos absolutos, respondendo por quase 42% do total afetado e por um quinto de tudo o que vende para o mercado americano, a situação de Santa Catarina é considerada ainda mais delicada em termos proporcionais. A indústria catarinense verá impressionantes 68% de suas exportações destinadas aos Estados Unidos passarem a pagar mais impostos a partir do dia 22 de julho. Para tentar diminuir o impacto financeiro e o risco de prejuízos generalizados, a ApexBrasil anunciou um plano emergencial de 130 milhões de reais para ajudar as empresas nacionais a encontrarem novos países compradores e diversificarem seus mercados.

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos justificou o tarifaço acusando o Brasil de adotar práticas comerciais consideradas injustas pelas regras internacionais, uma alegação que o governo brasileiro rebate e rejeita veementemente. A medida drástica deve balançar quase 20% de todo o comércio que o Brasil envia para os americanos, afetando severamente também outros setores tradicionais, como o polo madeireiro do estado do Paraná, que hoje fornece a maior parte da madeira que os Estados Unidos compram dos brasileiros.

Segundo a presidência da ApexBrasil, a decisão do governo norte-americano promete gerar um efeito cascata que prejudicará os próprios consumidores dos Estados Unidos. O país depende fortemente dos produtos brasileiros para abastecer seu setor imobiliário, comprando do Brasil cerca de 30% de toda a sua madeira importada e 36% de todo o granito utilizado em suas obras. Sem alternativas imediatas para substituir o volume fornecido pelo Brasil, especialistas alertam que a nova sobretaxa acabará encarecendo o custo da construção civil e a compra de novas moradias em solo americano, impulsionando a inflação local.

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