sábado, 8 de agosto de 2026

Estado de SP terá sua primeira usina para transformar água do mar em água potável

O Estado de São Paulo ganhará sua primeira usina voltada para transformar a água do mar em água potável. O projeto inédito de dessalinização será construído em Ilhabela, no Litoral Norte paulista, uma região que atrai milhares de turistas ao longo do ano, mas que sofre com severas restrições ambientais para captar água doce de rios e mananciais. A iniciativa faz parte do pacote de investimentos bilionários previstos pelo Governo de São Paulo após o processo de desestatização da Sabesp.

A nova usina vai injetar 20 litros de água por segundo no sistema de produção Água Branca, o que significa um aumento de 20% na capacidade atual de atendimento da cidade. Com um investimento de R$ 56,4 milhões por parte da Sabesp, a obra deve ser concluída no prazo de três anos. A estrutura vai beneficiar diretamente os moradores e turistas das regiões central e norte do município, abrangendo diversos bairros que vão desde a Piúva e Barra Velha até a Ponta das Canas.

Atualmente, a Sabesp já capta água no Ribeirão Água Branca, mas apenas nos trechos onde ela ainda é totalmente doce. Com a nova tecnologia, a empresa conseguirá ampliar essa captação em pontos bem mais próximos de onde o rio se encontra com o mar. Para retirar o sal e as impurezas da água e torná-la própria para o consumo humano, será utilizado um método moderno conhecido como osmose reversa. Esse sistema funciona aplicando uma forte pressão sobre a água salgada, fazendo com que ela atravesse membranas especiais e ultrafinas que retêm o sal e deixam passar apenas a água limpa.

A grande vantagem desse modelo é que ele cria uma fonte de abastecimento que não depende do regime de chuvas, garantindo total segurança para a população mesmo em períodos de forte seca. Embora essa tecnologia já seja muito utilizada no exterior — em países como Israel, onde mais de 60% da demanda de água vem do mar, e na Arábia Saudita —, no Brasil ela ainda é rara. No Nordeste, existem usinas voltadas para tratar águas salobras de poços e uma planta em Fortaleza, enquanto no Sudeste o processo só era usado de forma restrita dentro de indústrias no Espírito Santo.

Esse avanço em Ilhabela reflete o momento de forte expansão financeira da Sabesp, que aplicou R$ 15,2 bilhões em melhorias em 2025 e já colhe resultados operacionais positivos no início de 2026. Especificamente para o Litoral Norte, o plano de metas projeta um investimento pesado de R$ 3,7 bilhões até 2029, fruto dos novos contratos assinados após a privatização. Além de expandir as redes de esgoto e garantir água encanada para milhares de novas famílias em Caraguatatuba, São Sebastião e Ubatuba, os investimentos também permitiram quadruplicar o número de famílias de baixa renda beneficiadas pelas tarifas Social e Vulnerável na região.

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