


O estado de São Paulo enfrenta um cenário alarmante de violência sexual contra crianças e adolescentes em 2026. Segundo dados da Secretaria Estadual de Segurança Pública, somente nos três primeiros meses do ano, foram registrados 2.942 casos de estupro de vulnerável. O índice representa um crescimento em relação ao mesmo período do ano anterior e revela uma tendência preocupante de alta mensal: os registros saltaram de 892 em janeiro para 1.135 em março.

Para especialistas em direitos da infância, como o advogado Ariel de Castro Alves, da OAB, essa escalada reflete um fenômeno nacional alimentado, em parte, pela propagação de discursos de ódio e misoginia na internet. Grupos que pregam a submissão feminina e fazem apologia à violência encontram eco em fóruns digitais, contribuindo para a naturalização de abusos. Por outro lado, nota-se que a sociedade está mais atenta e disposta a denunciar, o que também ajuda a trazer esses crimes à tona.
Um dos pontos mais críticos destacados por defensores dos direitos humanos é a estrutura de investigação no estado. São Paulo é, atualmente, a única unidade da federação que não possui Delegacias Especializadas de Proteção de Crianças e Adolescentes (DPCAs). Enquanto estados como Rio de Janeiro, Paraná e o Distrito Federal contam com essas unidades — que oferecem atendimento humanizado com psicólogos e assistentes sociais —, em São Paulo os casos são geralmente apurados em distritos policiais comuns. A ausência de um suporte especializado pode comprometer a qualidade da investigação e o acolhimento das vítimas.







A gravidade do problema ficou evidenciada em um crime recente na Zona Leste da capital. Em abril, dois meninos, de 7 e 10 anos, foram vítimas de um estupro coletivo após serem atraídos por um grupo sob o pretexto de empinar pipas. Entre os envolvidos, um jovem de 21 anos confessou o crime após ser preso na Bahia, enquanto quatro adolescentes foram apreendidos. O caso só foi descoberto porque vídeos do abuso circularam na internet, permitindo que familiares identificassem as vítimas e superassem o medo de denunciar.






O debate ganha ainda mais relevância com a chegada do “Maio Laranja”, mês dedicado ao combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes. A campanha busca iluminar prédios públicos, promover palestras e, principalmente, divulgar canais de denúncia, como o Disque 100. Especialistas reforçam que, além da conscientização, é fundamental que o Estado invista em mecanismos de proteção eficientes para romper o ciclo de impunidade e garantir que as vítimas recebam o acompanhamento médico e psicológico necessário.

















