quarta, 1 de julho de 2026

Estado de SP lidera exportação de sementes no Brasil impulsionado por tecnologia e inovação

Mesmo diante de um cenário global de constantes alertas climáticos e de forte pressão sobre a produção de alimentos, o estado de São Paulo consolida a sua posição como o maior exportador de sementes do país. Especialistas apontam que o avanço constante na pesquisa agrícola é o grande pilar para sustentar esse desempenho. Números levantados pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA) mostram que, em 2025, o território paulista foi responsável por 36,2% de todas as vendas externas brasileiras do setor, embarcando cerca de 14 milhões de toneladas e movimentando 94,6 milhões de dólares. Os grandes protagonistas dessa liderança foram os segmentos de sementes de milho para semeadura e de plantas forrageiras, áreas em que o Brasil possui forte destaque mundial em desenvolvimento tecnológico e produção.

Esse sucesso conta com o trabalho estratégico da Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios (APTA), que coordena sete instituições científicas no estado. Entre elas, o Instituto de Zootecnia (IZ-APTA) abriga o maior banco de germoplasma de plantas forrageiras da América Latina, enquanto o Instituto Biológico (IB-APTA) atua como referência nacional em segurança fitossanitária e sanidade vegetal. Já o renomado Instituto Agronômico (IAC-APTA) possui reconhecimento internacional por desenvolver variedades de plantas totalmente adaptadas ao clima brasileiro. Toda essa capacidade técnica ganhou repercussão no fim de maio, em Lisboa, durante o World Seed Congress 2026, o maior evento global do setor, que reuniu mais de 1.800 participantes de 78 países para debater temas fundamentais como sustentabilidade e segurança alimentar.

O mercado mundial de sementes movimenta cerca de 90 bilhões de dólares anualmente, e as empresas do setor chegam a reinvestir até 30% do seu faturamento em pesquisa para novas variedades, comprovando que a inovação genética é a base da agricultura moderna. Dados apresentados no congresso internacional revelam que, apenas na União Europeia, a inovação em sementes responde por 74% dos ganhos de produtividade no campo. Essa necessidade de sementes de alta performance e adaptadas torna-se ainda mais urgente com a projeção de um fenômeno El Niño de forte intensidade para o ciclo atual, destacando a importância da tecnologia tropical desenvolvida pelo Brasil.

Apesar dos avanços, o setor agrícola enfrenta uma ameaça silenciosa: a pirataria de sementes, prática ilegal que gera um prejuízo anual estimado em 2,44 bilhões de reais no Brasil, segundo a Associação Brasileira de Sementes e Mudas (ABRASEM). Sementes piratas são aquelas comercializadas sem registro oficial no Ministério da Agricultura, o que significa que o produtor não tem nenhuma garantia de que elas vão germinar corretamente ou que estão livres de doenças. Além disso, quem planta esse tipo de material perde o direito a seguros agrícolas. No país, o feijão lidera o ranking da pirataria, com 80% de suas sementes sendo ilegais, seguido pelo arroz com 44%, o algodão com 43%, a soja com 29% e o trigo com 25%.

O pesquisador Alisson Fernando Chiorato, do Instituto Agronômico (IAC-APTA), alerta que a semente ilegal prejudica toda a cadeia produtiva, pois introduz pragas nas lavouras e desestimula a inovação. Ele ressalta que, ao escolher produtos certificados, o agricultor financia o recolhimento de royalties que retornam em forma de investimentos para novas pesquisas e melhoramento genético. Em São Paulo, o controle rigoroso de qualidade e a validação de sementes importadas são realizados pelo Laboratório de Análise de Sementes e Mudas da CATI, o único credenciado no estado pelo Ministério da Agricultura e associado a órgãos internacionais. Além de atuar na fiscalização, a estrutura da CATI garante insumos com certificação de ponta para o produtor paulista e desenvolve novas frentes científicas, como um projeto em parceria com a Embrapa Florestas para analisar sementes de mogno africano.

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