domingo, 12 de julho de 2026

Estado de SP ganha usina que transforma lixo orgânico em eletricidade e combustível

O Estado de São Paulo ganhou um reforço importante para a sua transição energética. Foi inaugurada, no Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (IEE/USP), a Usina de Bioenergia e Biofertilizantes. Trata-se de um projeto-piloto desenvolvido pela universidade que funciona como uma planta laboratorial em tamanho real, capaz de transformar resíduos sólidos orgânicos — como restos de alimentos — em energia elétrica, biometano e adubo. A solenidade de abertura contou com a presença da secretária estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, cuja pasta apoia institucionalmente a iniciativa ao lado da Associação Brasileira do Biogás e do Biometano (ABiogás).

A nova estrutura tem capacidade para processar 25 toneladas de lixo orgânico por dia, com autorização para expandir esse volume para até 43,5 toneladas diárias. O funcionamento acontece por meio de um processo chamado biodigestão. Nele, cada tonelada de resíduo gera biogás, que pode ser convertido em eletricidade ou refinado para virar biometano, um combustível renovável voltado para abastecer veículos ou ser injetado na rede de gás encanado. Atualmente, a energia elétrica gerada pela usina já abastece os prédios da própria USP e também é injetada no Sistema Interligado Nacional (SIN).

Além da produção energética, cerca de 80% do material que passa pelo processo se transforma em um biofertilizante rico em nutrientes. Esse adubo líquido está sendo usado em pesquisas agrícolas para o cultivo de cana-de-açúcar e na produção de verduras e legumes. O projeto busca esvaziar os aterros sanitários e reduzir a emissão de gases poluentes, convertendo o que seria descartado em benefício social. Por ser feita em módulos, essa tecnologia pode ser facilmente copiada e adaptada para atender às necessidades de prefeituras, indústrias de alimentos, feiras de abastecimento e grandes redes de supermercados.

A construção da usina demandou um investimento de cerca de 10 milhões de reais. A maior parte dos recursos veio do orçamento da própria USP e de verbas de pesquisa de órgãos como a Fapesp, o CNPq e programas de inovação da Aneel e da Enel, além de contar com equipamentos doados pela iniciativa privada. O projeto consolida a liderança de São Paulo no setor, já que o estado abriga nove das 19 usinas de biometano em operação no Brasil. A expectativa é que, ainda em 2026, a produção paulista alcance a marca de 1 milhão de metros cúbicos de biometano por dia, volume que equivale ao consumo de gás de todas as 2,8 milhões de residências atendidas por rede encanada no estado.

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