sexta, 10 de julho de 2026

Estado de SP expande rede de proteção à mulher e amplia canais de atendimento especializado

O estado de São Paulo registrou um crescimento de 80% na rede de atendimento policial especializado para mulheres vítimas de violência, saltando de 202 para 364 espaços de acolhimento desde 2022. O principal motor desse avanço foi a criação das chamadas Salas DDM, que são ambientes reservados instalados dentro de delegacias comuns para garantir privacidade às vítimas. Esse modelo mais que triplicou no período, passando de 62 para 220 unidades, complementando a atuação das 144 Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs) físicas existentes no estado.

A estratégia das Salas DDM visa descentralizar o serviço e aproximar o suporte especializado das mulheres que vivem longe das delegacias temáticas. Nesses locais, a vítima é atendida por videoconferência por policiais treinados na temática de gênero, permitindo registrar o boletim de ocorrência e solicitar medidas protetivas de urgência no plantão mais próximo de sua casa. Das delegacias físicas tradicionais, 19 prestam atendimento ininterrupto de 24 horas, distribuídas entre a capital, a Grande São Paulo e o interior. Segundo o secretário de Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, a expansão busca encorajar as denúncias e romper o ciclo de violência de forma rápida.

O reforço na segurança ganhou novas ferramentas com o pacote “SP por Todas Mais Seguras”, lançado logo após a nomeação histórica da coronel Glauce Anselmo Cavalli, a primeira mulher a assumir o comando-geral da Polícia Militar paulista em quase dois séculos de corporação. O conjunto de medidas inclui a criação da Patrulha SP Mulher Segura — uma ronda exclusiva da PM para proteger mulheres, com previsão de ultrapassar 100 viaturas —, além dos Espaços Lilás nos batalhões, voltados para localizar e acolher vítimas que ligaram para o telefone 190, mas não chegaram a registrar a ocorrência formalmente.

A tecnologia também se tornou uma aliada importante por meio do aplicativo SP Mulher Segura, que acumula mais de 73 mil usuárias ativas. A plataforma possui um botão do pânico integrado à geolocalização do aparelho celular que aciona diretamente as viaturas da PM e está interligado ao sistema de monitoramento de agressores que usam tornozeleira eletrônica. Essa fiscalização conjunta com o Tribunal de Justiça já acompanhou mais de 1,2 mil homens e resultou na prisão de 136 deles por descumprirem as restrições judiciais. O aplicativo permite ainda o cadastro de pessoas de confiança para que a central da polícia reforce a rede de apoio logo após o controle da situação de risco.

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