

Uma denúncia grave aponta a atuação de unidades móveis clandestinas que circulam por municípios do noroeste paulista oferecendo consultas oftalmológicas gratuitas, exames sem respaldo técnico e a suposta doação de armações e lentes. Por trás da fachada assistencial, o esquema opera a venda casada de produtos de procedência duvidosa e o atendimento por pessoas não habilitadas.

Segundo os relatos, os ônibus itinerantes se estabelecem nas cidades por curtos períodos mediante alvarás emitidos pelas prefeituras locais. O atendimento atrai famílias e idosos com a promessa de exames gratuitos e óculos sem custo para crianças. No entanto, os procedimentos são realizados sem a presença de médicos com CRM, ignorando a triagem de patologias graves como catarata, glaucoma e outras anomalias oculares.
A irregularidade se estende aos receituários e à comercialização dos produtos. Em alguns casos, os responsáveis pelos falsos exames chegam a utilizar números de RG no lugar do registro profissional médico. Além disso, o esquema configura venda casada: as vítimas recebem armações de baixa qualidade, falsificadas ou de suposto contrabando — como imitações de marcas famosas avaliadas no mercado em cerca de R$ 1,5 mil —, sob o argumento de que seriam gratuitas, mas são obrigadas a pagar por lentes superfaturadas.


Especialistas alertam que o uso de lentes sem procedência e a ausência de diagnóstico médico adequado expõem a população a sérios riscos de saúde visual, podendo agravar doenças oculares e levar à cegueira irreversível. Como os ônibus deixam os municípios rapidamente, os consumidores ficam sem canais de atendimento ou garantia para eventuais reclamações, consolidando o prejuízo financeiro e os danos à saúde pública.
O fato já teria sido denunciado a CREMESP, orgão responsável por esse tipo de fiscalização.








