quarta, 8 de abril de 2026

Escola recolhe livro com sexo indicado a alunos de 10 anos

O Colégio Boa Viagem (CBV), tradicional instituição de ensino no Recife, anunciou o recolhimento de um livro que havia sido indicado para alunos do 5º ano do Ensino Fundamental. A decisão ocorreu após um grupo de pais manifestar indignação com o conteúdo da obra, que apresenta passagens consideradas inadequadas para a faixa etária dos estudantes, composta majoritariamente por crianças de cerca de 10 anos. O material em questão é a história em quadrinhos “Vincent”, da artista holandesa Barbara Stok, que retrata os últimos e conturbados anos de vida do famoso pintor Vincent van Gogh.

A polêmica ganhou força em grupos de mensagens, onde responsáveis compartilharam trechos do livro que abordam temas sensíveis, como surtos psicóticos, o uso de bordéis e diálogos com referências explícitas a sexo. Embora a obra seja reconhecida no meio artístico por detalhar o período em que Van Gogh produziu telas icônicas como “A Noite Estrelada”, as famílias questionaram a falta de filtragem pedagógica da escola ao sugerir uma leitura com tal teor para crianças que ainda estão nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Relatos de pais nas redes sociais demonstraram choque e surpresa com a presença de termos e situações que fogem ao contexto escolar infantil.

Diante da repercussão negativa, a direção do colégio agiu rapidamente enviando um comunicado oficial aos responsáveis. No texto, a instituição admitiu que a obra não está alinhada com o momento de desenvolvimento dos alunos e reconheceu que houve uma falha interna no processo de seleção dos materiais. Segundo a nota enviada pela escola, o livro foi incluído na lista de compras por um colaborador que não faz mais parte do quadro de funcionários da unidade. O colégio reforçou que a obra foi identificada como inadequada antes mesmo de ser utilizada em sala de aula, o que permitiu a interrupção imediata de sua adoção.

Como medida de reparação, o Colégio Boa Viagem orientou as famílias que ainda não haviam adquirido o exemplar a não o fazerem e solicitou que aqueles que já estavam com o livro o entregassem na secretaria para o devido reembolso. A instituição afirmou estar revisando seus protocolos de curadoria de livros para garantir que episódios semelhantes não se repitam, reafirmando seu compromisso com uma formação que respeite a maturidade dos estudantes. O caso levanta um debate importante sobre a vigilância constante que as escolas devem ter sobre materiais paradidáticos que, embora premiados, podem exigir uma classificação indicativa específica.

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