quinta, 12 de março de 2026

Escola em Rio Preto transforma rotina para incluir aluna surda através da Libras

Foto: TV TEM/Reprodução

A chegada da pequena Sofia à Escola Municipal Júlio de Faria, em São José do Rio Preto, provocou uma verdadeira revolução na forma como estudantes e funcionários enxergam a comunicação. Diagnosticada com surdez aos dois anos, a menina enfrentava barreiras severas para se expressar, dependendo de mímicas improvisadas em casa. Hoje, a realidade é outra: a unidade escolar se mobilizou para que a Língua Brasileira de Sinais (Libras) fizesse parte do cotidiano de todos, garantindo que Sofia não fosse apenas uma espectadora, mas protagonista de sua própria jornada educativa.

A mudança começou a ganhar força no início de 2025, quando a professora Franciane Rodrigues Bottaro assumiu a turma e percebeu que precisava conectar Sofia ao restante da classe. Com sensibilidade, a educadora passou a ensinar Libras não apenas para a menina, mas para todos os seus colegas de sala. O entusiasmo das crianças foi imediato, e o aprendizado permitiu que elas passassem a convidar Sofia para brincar e conversar, quebrando o ciclo de isolamento que muitas vezes atinge pessoas com deficiência auditiva.

Essa rede de inclusão rapidamente ultrapassou as paredes da sala de aula e tomou conta de toda a escola. Atualmente, os corredores exibem cartazes com sinais de saudações básicas, como “bom dia” e “obrigado”, e até o cardápio da cantina foi adaptado com ilustrações que permitem à Sofia escolher sua refeição de forma independente. As cozinheiras da instituição também aderiram à iniciativa, utilizando sinais para interagir com a aluna durante o intervalo. Esse ambiente acolhedor trouxe avanços práticos impressionantes: com a nova autonomia, Sofia conseguiu sinalizar necessidades básicas, como ir ao banheiro, algo que antes era um desafio por falta de um canal de comunicação claro.

Para a família, a transformação da escola trouxe um alento emocionante. A mãe de Sofia, Suelen Cristina da Conceição, que antes temia pela exclusão da filha na sociedade, hoje celebra o fato de conseguir entender os desejos da menina dentro de casa, já que Sofia também ensina os sinais que aprende para os parentes. Enquanto isso, na escola, os colegas de turma seguem praticando com dedicação, motivados pela ideia de que estar preparados para se comunicar com pessoas surdas é um passo fundamental para construir um mundo mais justo e acessível para todos.

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