


O Brasil enfrenta um crescimento alarmante nos crimes de estelionato, que saltaram de 426 mil registros em 2018 para 2,2 milhões no ano passado, segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública. O reflexo dessa expansão atinge diretamente os municípios do interior paulista, como Votuporanga, que contabiliza uma média mensal de 50 golpes bem-sucedidos. Em entrevista ao jornal A Cidade, o delegado da Polícia Civil Thiago Silva Pereira classificou a conjuntura atual como uma verdadeira “epidemia”, impulsionada pela migração de organizações criminosas para o ambiente virtual com a popularização de redes sociais, comércio eletrônico e ferramentas como inteligência artificial.

Segundo a autoridade policial, a facilidade de criar estruturas hierarquizadas e atuar à distância fez com que a criminalidade migrasse do crime violento para os delitos patrimoniais com fraude. Em Votuporanga, as ocorrências de autoria desconhecida são direcionadas à Delegacia de Investigações Gerais (DIG), que alcança uma taxa de esclarecimento de aproximadamente 50%. A estatística local sofreu um impacto recente devido ao encerramento abrupto das atividades de uma agência de viagens em março, caso que gerou um expressivo acúmulo de inquéritos policiais e ações na Justiça por lesão aos clientes.
O delegado detalhou os esquemas mais frequentes aplicados contra a população, que variam desde o golpe do falso parente — agora aprimorado com a clonagem de voz por inteligência artificial — até a atuação do falso advogado, em que criminosos utilizam dados de processos judiciais para cobrar supostas taxas ou custas inexistentes. Também se destacam a clonagem de anúncios em plataformas de e-commerce e a tática conhecida como phishing, onde golpistas mascaram o número telefônico para se passarem por centrais antifraude de bancos e induzirem a vítima a efetuar pagamentos ou transferências. Para evitar prejuízos, a recomendação principal é manter a desconfiança em abordagens virtuais e checar a identidade do interlocutor por meio de perguntas pessoais que apenas o verdadeiro familiar ou instituição saberia responder.









