terça, 9 de junho de 2026

Entidade feminina aciona Justiça contra evento masculino promovido pelo ator Juliano Cazarré

Um grande encontro voltado para o público masculino virou alvo de uma disputa jurídica antes mesmo de acontecer. A União Brasileira de Mulheres decidiu acionar a Justiça contra o ator Juliano Cazarré e a faculdade UNI Ítalo. O objetivo da organização é exigir explicações detalhadas e colocar limites na realização do congresso “O Farol e A Forja”, que vem sendo divulgado como o maior evento para homens do Brasil e tem previsão para acontecer no final de julho, na cidade de São Paulo.

A ação judicial foi protocolada no Rio de Janeiro e cobra que tanto os organizadores quanto a faculdade que sediará as atividades deem garantias oficiais de que o encontro vai respeitar os direitos humanos e a igualdade entre homens e mulheres. A iniciativa de ir aos tribunais partiu de Manuella Mirella, diretora nacional da entidade feminina e pré-candidata a deputada federal pelo PCdoB. Ela argumenta que o formato do evento pode abrir espaço para a propagação de ideias machistas, preconceituosas e discursos de ódio contra as mulheres.

A insatisfação do grupo ganhou força após falas recentes de Cazarré em uma entrevista de televisão. Na ocasião, o ator apresentou dados estatísticos mostrando que o número de homens assassinados no país é superior ao de mulheres. Para o movimento social, a declaração do artista tentou diminuir a gravidade e descontextualizar a realidade dos crimes de feminicídio no Brasil. Diante disso, a equipe jurídica da associação feminina alertou que poderá entrar com novos processos caso o congresso divulgue conteúdos considerados discriminatórios.

Agendado para ocorrer entre os dias 24 e 26 de julho, o evento propõe discutir o papel e o sentimento de desamparo do homem na sociedade moderna. A programação promete debater temas como carreira, importância do casamento, criação de filhos e fé cristã, encerrando as atividades com a celebração de uma missa católica. Por sua vez, Juliano Cazarré se manifestou na internet afirmando que não vai se render ao que chamou de patrulha ideológica. O ator lembrou que já sofreu boicotes no passado por expor suas visões conservadoras e criticou o clima de rivalidade política extrema que impede debates saudáveis.

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