


Levantamento inédito realizado pelo Instituto Sonho Grande e pelo Instituto Natura, com base nos dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e no Indicador de Nível Socioeconômico dos Estudantes (INSE), revela que o modelo de ensino médio em tempo integral é o principal motor de desempenho da rede pública brasileira. Das 100 escolas com menor nível socioeconômico que alcançaram os melhores resultados no indicador, 77 operam em formato totalmente integral. O estudo aponta que o benefício da jornada ampliada é significativamente superior nas regiões e comunidades de maior vulnerabilidade social.

Nas instituições de baixo contexto socioeconômico, o formato integral apresenta desempenho 15% superior em comparação com o modelo parcial, garantindo vantagens expressivas em avaliações nacionais como o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). Em matemática, a evolução média dos estudantes de baixa renda matriculados no tempo integral equivale a mais de quatro anos adicionais de aprendizado frente aos que estudam em turno único. Já em língua portuguesa, o avanço computado corresponde a mais de três anos de escolarização extra, resultado atribuído ao uso do tempo expandido para a recomposição de conteúdos defasados e a projetos de tutoria individualizada.
Os dados destacam também o papel da política pública no combate às disparidades raciais. Atualmente, cerca de três em cada quatro escolas integrais da rede urbana estadual atendem maiorias compostas por estudantes pretos, pardos ou indígenas. Nas unidades onde esse público representa mais de 80% das matrículas, a nota do Ideb atinge a média de 4,9 no modelo integral, ante 4,3 na jornada parcial. Especialistas avaliam que o sucesso do sistema não se deve apenas à permanência do aluno no ambiente escolar, mas à estrutura pedagógica voltada ao acompanhamento socioemocional e ao protagonismo juvenil. Para a consolidação dessa transição em todo o país, o setor aponta que a gestão governamental contínua é o fator essencial para superar desafios orçamentários e de infraestrutura nas redes estaduais.









