

Uma das histórias mais impressionantes envolvendo a estelionatária Amanda Maria Souza de Oliveira ganhou um novo capítulo com a revelação do impacto emocional sofrido por suas vítimas. Uma mulher enganada pela suspeita no Paraná revelou que ficou tão comovida com a farsa que chegou a tatuar no próprio pulso o nome falso usado no golpe. Na época, ela acreditava piamente estar abrigando e cuidando de uma menina de 13 anos chamada Emily, que supostamente sofria de um câncer em estágio terminal. Como forma de demonstrar seu amor materno, a vítima eternizou o nome da jovem ao lado do nome dos seus próprios filhos biológicos, precisando recorrer a sessões de laser para apagar a marca da pele assim que descobriu a terrível verdade.

O pesadelo começou durante o período da pandemia de Covid-19, quando a vítima conheceu Amanda em um grupo de orações na internet. Com uma voz infantil e uma história comovente, a golpista entrou no grupo dizendo que era uma criança doente e que seu único desejo era que as pessoas rezassem para que ela morresse logo, alegando que sua mãe vivia exausta dentro de hospitais e precisava descansar. A declaração forte chocou e sensibilizou os participantes, que decidiram acolhê-la. Ao longo de dez meses, Amanda usou de extrema manipulação psicológica para conquistar a confiança da vítima, pedindo primeiro para que ela fosse sua madrinha de batismo e, pouco tempo depois, simulando a morte da própria mãe para perguntar se poderia começar a chamá-la de “mãe”.
A farsa, que parecia um drama real, começou a desmoronar quando a suposta adolescente passou a pedir quantias em dinheiro de forma frequente aos integrantes do grupo religioso. Diante da desconfiança, os membros começaram a investigar por conta própria e ligaram para os hospitais onde a menina dizia fazer o tratamento oncológico, descobrindo que nunca houve nenhum registro de atendimento no nome dela. A confirmação definitiva do golpe veio quando uma das participantes exigiu falar com a tia biológica da jovem e percebeu, pela voz e pelo tom, que a suposta parente era a própria Amanda se passando por uma mulher adulta. O caso foi registrado na polícia ainda no ano de 2022.
Apesar de ter sido desmascarada no Paraná, Amanda continuou aplicando o mesmo tipo de crime em outros estados. Ela foi presa preventivamente no início de junho após passar mais de um ano vivendo na cidade de Joinville, em Santa Catarina, fingindo ser uma criança de 12 anos para ser adotada por um casal que também acreditou em sua falsa história de vulnerabilidade. A polícia descobriu que a criminosa, na verdade, já tem 38 anos de idade e utilizava técnicas de disfarce e até relatos falsos envolvendo misticismo para enganar mulheres em diversas regiões do país.







