quinta, 6 de agosto de 2026

Empresários de Rio Preto são presos acusados de comandar esquema bilionário de lavagem de dinheiro para o jogo do bicho

Empresários de São José do Rio Preto criaram e comandaram uma estrutura financeira bilionária para ocultar dinheiro ilícito vindo do jogo do bicho e de máquinas de caça-níqueis do Rio de Janeiro. A revelação foi feita pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) após uma operação deflagrada na última quarta-feira (29) em conjunto com a Polícia Federal. O esquema prestava uma espécie de “terceirização” da lavagem de dinheiro para o crime organizado fluminense.

Entre os alvos da ação estão o empresário Alessandro Malavasi e seu filho, Natan Malavasi, donos de uma construtora de alto padrão na cidade paulista. Apontados como os chefes do grupo, ambos foram presos ao lado de dois funcionários da empresa. Ao todo, a operação cumpriu cinco mandados de prisão — quatro em Rio Preto e um em Campo Grande (MS) —, além de 11 mandados de busca e apreensão espalhados por São Paulo, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul. Outras duas pessoas investigadas seguem foragidas no estado do Rio.

De acordo com o Ministério Público, os empresários paulistas não operavam bancas de apostas diretamente, mas sim a logística financeira para dar aparência legal aos recursos. O sistema utilizava milhares de maquininhas de cartão espalhadas por pontos de apostas e videobingos, vinculadas a empresas de fachada e registradas no nome de “laranjas” — pessoas sem recursos financeiros, incluindo beneficiários de programas sociais, que apareciam movimentando fortunas.

As investigações revelaram que, entre janeiro de 2019 e março de 2026, as contas do grupo movimentaram cerca de R$ 2 bilhões, sendo que ao menos R$ 100 milhões foram retirados em dinheiro vivo. A operação foi acelerada após os promotores descobrirem que os suspeitos já desconfiavam do monitoramento e planejavam fugir para os Estados Unidos.

A Justiça também determinou o bloqueio de bens, imóveis, veículos, contas bancárias e criptomoedas de 18 pessoas físicas e jurídicas ligadas ao grupo. Os envolvidos responderão pelos crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa. A defesa dos empresários informou que aguarda acesso aos autos para se manifestar, já que o caso corre sob segredo de Justiça.

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