sexta, 12 de junho de 2026

Em sabatina emocionante, Jorge Messias destaca fé cristã e defende Estado laico

O advogado-geral da União, Jorge Messias, indicado para ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), protagonizou momentos de forte emoção durante sua sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, nesta quarta-feira (29). Ao falar sobre sua trajetória pessoal, Messias declarou-se um “servo de Deus” e compartilhou que professa a fé evangélica há 40 anos, destacando que os valores cristãos plantados por seus pais foram fundamentais em sua vida. No entanto, o indicado fez questão de pontuar que, embora sua religião seja uma bênção pessoal, ele tem total compreensão de que o Estado brasileiro é laico e deve manter um diálogo respeitoso com todas as crenças.

Durante o interrogatório dos senadores, um dos temas centrais foi a posição de Messias sobre questões morais. Ele afirmou ser pessoalmente contrário ao aborto, baseando sua visão tanto em princípios religiosos quanto na defesa da vida prevista na Constituição. O candidato ponderou que a interrupção de uma gravidez é sempre uma “tragédia humana”, mas lembrou que a legislação atual já prevê casos específicos em que o procedimento não é punido, defendendo um olhar humanitário para mulheres e crianças em situações extremas. A fala ocorreu em um contexto de questionamentos sobre pareceres técnicos anteriores emitidos por ele na Advocacia-Geral da União sobre procedimentos médicos relacionados ao tema.

A trajetória de Messias no serviço público e sua postura conciliadora foram apresentadas como credenciais para assumir a cadeira na Suprema Corte. Ele reforçou que sua fé não deve ser vista como uma ferramenta política, mas como um guia de conduta ética que prioriza a justiça e a dignidade humana. O indicado buscou transmitir segurança aos parlamentares de que sua atuação no tribunal será pautada pelo equilíbrio entre suas convicções e o rigor técnico exigido pela magistratura.

Agora, o futuro de Jorge Messias depende das votações no Congresso. Após o encerramento da sabatina, os membros da CCJ decidem se aprovam o nome do indicado, sendo necessários pelo menos 14 votos favoráveis. Caso receba o aval da comissão, a indicação segue para o Plenário do Senado, onde o advogado precisará do apoio de, no mínimo, 41 dos 81 senadores para ser oficialmente confirmado como o novo ministro do Supremo Tribunal Federal.

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