quarta, 10 de junho de 2026

Em processo relâmpago, Irã executa homem acusado de espionagem para os EUA e Israel

As autoridades do Irã executaram na madrugada deste domingo um homem condenado por enviar informações confidenciais de segurança para os Estados Unidos e Israel. O prisioneiro, identificado como Mojtaba Kian, foi acusado de atuar como espião durante o conflito armado que teve início no final de fevereiro. A informação sobre o cumprimento da pena de morte foi divulgada oficialmente pela agência de notícias Mizan, que pertence ao Poder Judiciário do regime iraniano.

De acordo com o relatório da Justiça local, Kian transmitia dados estratégicos aos países ocidentais, incluindo coordenadas geográficas exatas e detalhes operacionais sobre fábricas de peças para o setor bélico do Irã. Os investigadores técnicos do governo afirmaram que um dos locais mapeados pelo acusado foi alvo de um bombardeio e acabou totalmente destruído apenas três dias após o repasse das informações. A acusação apontou que o homem iniciou o contato com o serviço de inteligência estrangeiro por meio de uma emissora de televisão operada pela oposição via satélite, recebendo posteriormente um número telefônico exclusivo para o envio dos relatórios.

A execução por enforcamento ocorreu logo após a Suprema Corte do país rejeitar os recursos e confirmar a sentença de morte determinada por um tribunal da província de Alborz, que também ordenou o confisco de todos os bens materiais do condenado. O que chamou a atenção no episódio foi a velocidade do trâmite jurídico: todo o processo, desde o momento em que o homem foi descoberto e preso até o dia de sua morte, foi concluído em menos de 50 dias. A agilidade atende a uma diretriz expressa do chefe do Judiciário iraniano, Gholamhossein Mohseni Ejei, que determinou prioridade máxima e rapidez no julgamento de casos que envolvam suspeitas de colaboração com nações inimigas.

Esse caso faz parte de uma forte onda de repressão interna promovida por Teerã desde o estouro da guerra. O governo iraniano tem endurecido as leis e acelerado as prisões e execuções não apenas de supostos infiltrados e espiões, mas também de opositores políticos e cidadãos que participaram das manifestações antigoverno que tomaram as ruas em janeiro. O volume de punições impressiona e reflete o momento de tensão na região: em balanços divulgados na semana passada, a polícia iraniana confirmou a detenção de 6,5 mil pessoas, enquanto o sistema prisional registrou a execução de outras 30 pessoas sob acusações semelhantes de traição e dissidência política.

Notícias relacionadas