

O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, anunciou nesta segunda-feira uma redução de 50% no próprio salário e nos vencimentos de todos os ministros de Estado. A medida drástica foi divulgada pela Presidência como um gesto para demonstrar o compromisso do governo com a população, em um momento em que o país enfrenta sua pior crise econômica e social das últimas quatro décadas. O país vizinho já entra na quarta semana consecutiva de intensos protestos populares, motivados principalmente pela escassez severa de dólares no mercado interno e por uma inflação que disparou, atingindo a marca de 14% na comparação com o ano passado.

A situação é crítica na capital administrativa, La Paz, onde as sedes dos poderes Executivo e Legislativo estão praticamente isoladas. Bloqueios de estradas organizados por manifestantes interromperam o abastecimento de produtos essenciais, gerando desabastecimento de alimentos, remédios e combustíveis. Os líderes dos protestos acusam a atual gestão de ignorar as demandas do povo, que exige reajustes salariais e ações eficazes para combater a falta de combustíveis e a péssima qualidade do produto que chega aos postos de abastecimento.
No campo político, o clima também é de forte tensão. O presidente Rodrigo Paz acusa publicamente o ex-presidente Evo Morales de ser um dos principais articuladores dos bloqueios para tentar derrubar o governo. Morales, que governou a Bolívia entre 2006 e 2019 e foi proibido pela Justiça de disputar as últimas eleições devido a restrições constitucionais, subiu o tom neste domingo ao exigir que a atual gestão convoque novas eleições gerais no prazo máximo de 90 dias. Em resposta à pressão da oposição, o governo acionou a Organização dos Estados Americanos (OEA), denunciando Morales por tentar promover um golpe e desestabilizar a democracia no país.







