terça, 7 de abril de 2026

Em evento nos Estados Unidos, Flávio Bolsonaro pede vigilância estrangeira sobre eleições brasileiras

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aproveitou sua participação em um dos maiores congressos conservadores do mundo, o CPAC, realizado no Texas, para levar suas pautas políticas ao cenário internacional. Durante seu discurso no último sábado (28), o parlamentar solicitou que as autoridades e instituições americanas monitorem de perto a liberdade de expressão no Brasil e exerçam pressão diplomática para assegurar o que chamou de “eleições justas” no pleito de outubro, no qual ele concorre à Presidência da República. Flávio argumentou que o governo de Joe Biden teria interferido nas eleições de 2022 em favor de Lula, embora não existam documentos ou provas públicas que confirmem o financiamento de campanhas ou manipulação de urnas por órgãos americanos.

No palco do evento, o senador traçou um cenário crítico sobre a atual gestão brasileira, mencionando crises econômicas e de segurança pública, além de alegar uma suposta expansão de cartéis criminosos. Flávio utilizou o espaço para reforçar narrativas de seus apoiadores sobre a confiabilidade do sistema eleitoral de 2022, apesar de auditorias oficiais, inclusive das Forças Armadas, não terem encontrado evidências de fraude na época. Em sua fala, ele comparou a situação jurídica de seu pai, Jair Bolsonaro — que atualmente cumpre prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado e outros crimes —, à trajetória de Donald Trump, classificando as ações do Judiciário brasileiro como perseguição política.

A estratégia do senador buscou alinhar os interesses do Brasil aos valores conservadores americanos, apresentando-se como o aliado ideal para o hemisfério em uma eventual nova administração republicana nos Estados Unidos. Flávio destacou o peso do Produto Interno Bruto (PIB) e o tamanho territorial brasileiro para convencer a plateia de que o país é uma peça-chave na geopolítica regional. Ele defendeu que os Estados Unidos deveriam abandonar o que considera uma postura de apoio a governos de esquerda e passar a cobrar que as instituições brasileiras funcionem dentro de padrões que ele considera adequados.

Ao finalizar sua participação, acompanhado pelo irmão Eduardo Bolsonaro e outros aliados políticos, Flávio prometeu retornar ao evento no próximo ano já na condição de presidente eleito. Ele se descreveu como uma evolução política do pai, traçando um paralelo com a expectativa de um segundo mandato de Trump. O discurso, focado na colaboração internacional para o combate ao crime organizado e na defesa de liberdades individuais, reforça a tática da direita brasileira de buscar apoio externo para validar suas teses e aumentar a visibilidade de suas candidaturas antes do início oficial da campanha eleitoral no Brasil.

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