

A pré-candidata ao Senado e ex-ministra do Planejamento, Simone Tebet, afirmou nesta sexta-feira (17) que o Brasil possui ferramentas internas para anular os efeitos econômicos das recentes sanções impostas pelos Estados Unidos. Durante um compromisso político em Catanduva, no interior de São Paulo, a emedebista destacou que um aumento de apenas 2% na mistura obrigatória de etanol na gasolina comercializada no país seria suficiente para absorver toda a produção nacional que deixaria de ser exportada para o mercado norte-americano, que confirmou uma taxa extra de 25% sobre o combustível brasileiro.

A região noroeste paulista, onde Tebet cumpriu agenda ao lado dos ministros Fernando Haddad e Marina Silva, é um dos maiores polos produtores de cana-de-açúcar do país e vinha demonstrando forte preocupação com o risco de demissões em massa nas usinas. Segundo a ex-ministra, a ampliação da mistura obrigatória, que depende do aval do Conselho Nacional de Política Energética, garante a competitividade do setor sucroenergético e protege os empregos locais, já que o consumo interno compensaria com sobra o bloqueio comercial dos Estados Unidos.
A justificativa de Washington para sobretaxar o biocombustível brasileiro baseia-se em supostas barreiras criadas pelo Brasil para a entrada do etanol de milho produzido por fazendeiros americanos. No entanto, entidades nacionais do setor, como a União Nacional do Etanol de Milho, rebatem a acusação, garantindo que as taxas cobradas pelo Brasil seguem rigorosamente os tratados internacionais da Organização Mundial do Comércio. Atualmente, o Brasil aplica uma tarifa de 18% sobre o etanol importado dos EUA, enquanto os produtores brasileiros pagam somente 2,5% para enviar o produto no sentido inverso.


Apesar do barulho provocado pela decisão do governo americano, o impacto real no bolso dos produtores tende a ser controlado. Dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia mostram que o foco do etanol brasileiro sempre foi o abastecimento do próprio território nacional, sendo que apenas 7% do volume total produzido é enviado para o exterior — e os Estados Unidos compram o equivalente a 1% desse montante. Após passarem por Catanduva, as lideranças políticas seguiram para São José do Rio Preto, onde visitaram o Hospital de Base e encerraram o dia em um evento com apoiadores regionais.









