

Mesmo enfrentando um cenário desafiador com juros elevados e a disparada no preço internacional do petróleo, a economia brasileira conseguiu registrar um leve crescimento de 0,1% na passagem de março para abril deste ano. Quando comparado ao mesmo mês de 2025, o avanço foi ainda mais expressivo, atingindo 1,8%. Os dados foram apresentados no relatório Monitor do PIB, divulgado nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas. O estudo funciona como um termômetro da atividade econômica ao reunir o desempenho de setores essenciais como a indústria, o comércio, os serviços e a agropecuária. No acumulado dos últimos 12 meses, a expansão do país ficou em 2%.

De acordo com a economista Juliana Trece, coordenadora da pesquisa, o resultado de 0,1% sinaliza uma economia estável e resiliente. A maior parte dos setores econômicos apresentou desempenho positivo, conseguindo superar barreiras internas e externas, como os impactos da guerra no Oriente Médio, que encareceu o barril de petróleo globalmente e pressionou o preço da gasolina e do óleo diesel no Brasil. Para tentar conter essa alta, o governo federal chegou a adotar medidas como o corte de tributos e subsídios para produtores e importadores. Além disso, o Banco Central manteve a taxa básica de juros, a Selic, em patamares altos para segurar a inflação, realizando pequenos cortes recentes que deixaram os juros em 14,25% ao ano.
O consumo das famílias foi um dos grandes motores desse resultado, registrando uma alta de 2,6% no trimestre encerrado em abril em comparação com o mesmo período do ano passado, o melhor desempenho desde o início de 2025. Outro destaque ficou por conta das exportações, que saltaram 9,3%, impulsionadas principalmente pelas vendas da indústria extrativa, como minérios e petróleo, que cresceram quase 28%. Os investimentos produtivos, que medem a compra de máquinas e novos equipamentos pelas empresas, também voltaram a crescer, registrando uma leve alta de 0,7% após quatro períodos seguidos de queda. Em valores correntes, a FGV estima que a riqueza acumulada pelo Brasil no ano até abril chegou à marca de R$ 4,376 trilhões.


Embora o Monitor do PIB da FGV e o índice de atividade do Banco Central apontem para caminhos semelhantes de crescimento, o resultado oficial da economia do país é calculado e divulgado de três em três meses pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. No primeiro trimestre do ano, o indicador oficial mostrou uma expansão de 1,1%. A população e o mercado financeiro agora aguardam o próximo relatório oficial do IBGE, agendado para o dia 1º de setembro, que trará o balanço consolidado de como a economia brasileira se comportou ao longo de todo o segundo trimestre de 2026.







