terça, 28 de abril de 2026

Durante evento, Lula defende acordos com qualquer país

Durante sua passagem por Lisboa nesta terça-feira (21), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou a posição do Brasil em favor do multilateralismo e da paz global. Em encontro com o primeiro-ministro português, Luís Montenegro, o líder brasileiro declarou que o país não aceita a ideia de uma nova “Guerra Fria” e que mantém neutralidade estratégica em suas parcerias comerciais. Segundo Lula, o Brasil busca dialogar com todas as potências, como China, Estados Unidos, Rússia e França, sem estabelecer preferências que possam prejudicar o convívio harmônico entre as nações.

O presidente destacou que o cenário global atual apresenta o maior número de conflitos desde o fim da Segunda Guerra Mundial e lamentou a falta de instituições internacionais com força política suficiente para frear essas crises. Nesse contexto, ele reforçou sua defesa por uma reforma profunda no Conselho de Segurança da ONU. Durante a coletiva, Lula também comentou com ironia as declarações de Donald Trump sobre a pacificação de guerras, sugerindo que, se a entrega de um Prêmio Nobel fosse o segredo para garantir a paz mundial, a honraria deveria ser concedida logo ao político norte-americano.

Focando nas relações bilaterais, Lula apontou Portugal como o principal destino estratégico para investimentos brasileiros na Europa. Ele citou a Embraer, que já possui operações consolidadas em solo português, como um modelo de sucesso que deve ser replicado por outras companhias. O objetivo é criar parcerias industriais que aproveitem a mão de obra qualificada local para desenvolver produtos que atendam a ambos os mercados, garantindo um crescimento econômico mútuo e sustentável.

Por fim, o mandatário brasileiro criticou as resistências do Parlamento Europeu em relação ao acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. Para Lula, as tentativas de limitar a validade do pacto são um equívoco, pois o tratado foi desenhado para fortalecer as economias sem colocar em risco setores sensíveis de cada bloco. Ele defendeu que todas as partes envolvidas trabalhem para proteger o acordo, permitindo que o Brasil utilize Portugal como uma porta de entrada segura para o comércio com o continente europeu.

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