domingo, 19 de julho de 2026

Dormir demais aumenta risco de demência, mas excesso de sono pode ser sinal de outras doenças

Quando o assunto é a qualidade do descanso, os extremos parecem esconder os maiores perigos para a saúde. Uma nova pesquisa realizada pela York University, no Canadá, acendeu um alerta ao revelar que pessoas que dormem mais de oito horas por noite apresentam um risco 28% maior de desenvolver demência em comparação com aquelas que descansam entre sete e oito horas. O estudo reforça que tanto dormir pouco quanto dormir muito estão associados a problemas graves, mas os especialistas explicam que o excesso de sono não é, necessariamente, a causa direta da doença mental.

De acordo com Alan Eckeli, professor de Neurologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, a relação entre o tempo de cama e a saúde funciona como uma curva em formato de “U”. Isso significa que as pessoas situadas nas duas pontas — as que dormem menos de seis horas ou mais de nove horas — são as que mais registram taxas altas de problemas de saúde e mortalidade. O médico esclarece que passar muito tempo dormindo costuma ser, na verdade, um sintoma ou uma manifestação de condições que já estão se instalando no organismo, como depressão, apneia do sono, problemas cardíacos ou doenças que afetam o cérebro, e não o motivo pelo qual elas acontecem.

Além dos riscos a longo prazo, o hábito de estender o descanso além do que o corpo precisa traz reflexos imediatos no dia a dia. Quando uma pessoa ultrapassa de forma exagerada o seu padrão normal de sono, ela pode acordar mais lenta, com uma sensação de “mente nublada” e dificuldade para raciocinar. Também é comum surgir uma sensação de corpo dolorido e cansaço físico. Esses sintomas são sinais claros emitidos pelo organismo de que o limite do descanso necessário foi ultrapassado.

O neurologista ressalta ainda que passar muito tempo na cama não é garantia de uma noite bem aproveitada, pois a quantidade de horas é diferente da qualidade do sono. Acordar várias vezes durante a noite ou não conseguir atingir as fases mais profundas do relaxamento impedem que o cérebro se recupere corretamente. Por isso, se uma pessoa perceber que seu tempo de sono aumentou de forma persistente e notar sinais como sonolência exagerada de dia, cochilos involuntários, irritabilidade, falhas de memória e falta de concentração, o ideal é procurar uma avaliação médica para investigar o que está acontecendo.

Embora a necessidade de descanso varie de indivíduo para indivíduo, grandes estudos apontam que o intervalo de sete a oito horas de sono por noite é a faixa ideal e mais segura para a maioria da população. Para proteger o cérebro contra o declínio cognitivo ao longo da vida, os cuidados devem ir além do travesseiro. Praticar atividades físicas regularmente e manter uma alimentação equilibrada ajudam a evitar a obesidade e o sono fragmentado. O segredo para uma vida longa e saudável está em combinar o descanso na medida certa com hábitos ativos, evitando que o sedentarismo e as noites mal dormidas se acumulem e prejudiquem a mente no futuro.

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