terça, 14 de julho de 2026

Dois guardas municipais são indiciados por torturar mulher em cova de cemitério em Birigui

Dois guardas civis municipais foram indiciados pela Polícia Civil sob a acusação de torturar, agredir e ameaçar de morte uma mulher de 32 anos em Birigui, no interior de São Paulo. O objetivo dos agentes era forçá-la a revelar onde estava o seu namorado, após ela ter confessado que os dois haviam furtado uma motocicleta. O relatório final do inquérito policial foi concluído pelo delegado Eduardo de Paula e encaminhado ao Ministério Público, que agora decidirá se oferece uma denúncia criminal contra os guardas.

O crime que deu origem à abordagem ocorreu em 18 de março de 2025, quando a mulher e o companheiro furtaram o veículo no bairro Monte Líbano. Três dias depois, ela foi localizada pelos guardas civis em uma casa abandonada. No local, ela admitiu a participação no furto e explicou que o namorado já havia vendido a moto na cidade vizinha de Araçatuba. A partir desse momento, segundo as investigações, a mulher passou a ser agredida com socos e chutes no peito e nas costelas. Em depoimento, a vítima relatou um cenário de horror: ela afirmou ter sido levada pelos guardas até um cemitério, onde foi colocada dentro de uma cova sob a mira de uma arma na cabeça e ameaçada de morte para que entregasse o paradeiro do parceiro.

A gravidade das agressões ficou evidente assim que a mulher foi conduzida à delegacia de Birigui. Ela chegou à unidade policial em intenso estado de pânico, sofrendo desmaios frequentes e com um quadro de hemorragia interna. Diante da situação de saúde da presa, o delegado ordenou o socorro médico imediato e abriu uma investigação específica para apurar o crime de tortura. O laudo do exame de corpo de delito confirmou as lesões no abdômen e no tórax causadas por violência física. Os dois guardas negaram as acusações e um deles chegou a alegar que a mulher havia se machucado sozinha ao pular muros durante uma tentativa de fuga. Contudo, a versão dos agentes foi descartada pela Polícia Civil por entrar em contradição com os depoimentos de policiais e de profissionais da saúde.

Atualmente, os investigados respondem ao processo em liberdade. Um deles acabou sendo exonerado administrativamente da corporação após mudar de estado. Já em relação ao guarda que permanece na ativa, a polícia identificou em seu histórico funcional um padrão violento e desabonador, com registros anteriores de abuso de autoridade e uso desproporcional da força em abordagens de rotina. Por conta disso, o delegado solicitou à Justiça que o agente seja suspenso das ruas e remanejado apenas para funções administrativas internas, além de ser proibido de manter qualquer contato com a vítima e com as testemunhas. Em nota, a Prefeitura de Birigui informou que o guarda em questão já cumpre funções internas na área administrativa e que a sindicância do município para apurar a conduta dos servidores está temporariamente pausada devido ao afastamento de membros da comissão responsável.

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