

As fraudes virtuais estão desafiando as autoridades e fazendo milhares de vítimas no noroeste paulista. Apenas na cidade de Araçatuba, a Polícia Civil contabilizou mais de 2.300 registros de crimes cibernéticos entre janeiro e maio deste ano. De acordo com o Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior (Deinter-10), a lista das trapaças mais comuns na região inclui o golpe do falso advogado, o falso funcionário de banco, o golpe do Pix e a clonagem de cartões de crédito.

Essa explosão de ocorrências reflete uma realidade que atinge quase toda a população do estado. Um estudo da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) revelou que nove em cada dez moradores de São Paulo já enfrentaram pelo menos uma tentativa de estelionato digital, o que representa um universo assustador de cerca de 30 milhões de pessoas afetadas. Entre os casos recentes mais graves, uma aposentada de 62 anos, moradora de São José do Rio Preto, perdeu cerca de 100 mil reais ao acreditar em criminosos que se passaram por sua advogada e por um promotor de Justiça. Em Araçatuba, outra mulher teve um prejuízo de 66 mil reais após cair na mesma armadilha, em que o golpista usou a foto de perfil do verdadeiro defensor da vítima no WhatsApp para ganhar sua confiança.
O delegado seccional de Araçatuba, Getúlio Nardo, explica que a principal motivação dos criminosos é o lucro alto e fácil aliado ao baixo risco, já que operar atrás de uma tela reduz drasticamente as chances de uma prisão em flagrante ou de reação da vítima, ao contrário de um assalto à mão armada. Embora as estatísticas apontem que adultos de 30 a 59 anos, com maior escolaridade e renda alta, relatem mais essas abordagens, o delegado adverte que o perfil das vítimas se tornou completamente geral. Atualmente, idosos, jovens e profissionais experientes caem igualmente nas armadilhas porque os golpistas usam técnicas refinadas de manipulação psicológica, criando falsas situações de extrema urgência que fazem as pessoas agirem por impulso.


Recentemente, histórias dramáticas ilustraram a agressividade dessas quadrilhas. Uma empresária de Rio Preto perdeu 164 mil reais em um único dia após receber a ligação de um falso funcionário de banco exigindo uma suposta atualização cadastral. Na mesma semana, um médico da cidade teve um prejuízo de quase 89 mil reais ao enviar códigos de segurança para um criminoso que se passava por seu gerente de conta. Até mesmo em cidades menores, como Fernandópolis, idosos têm sido alvo; um homem de 72 anos perdeu 10 mil reais após cair no golpe do falso prêmio de loteria, caso que levou a Polícia Civil a deflagrar uma operação na capital paulista para desmantelar o bando especializado.
Para evitar prejuízos financeiros e dores de cabeça, as autoridades reforçam que a prevenção continua sendo a melhor arma. O delegado orienta que a população desconfie de qualquer pedido de dinheiro por mensagem, mesmo que venha do número de um familiar ou conhecido, sendo fundamental fazer uma ligação telefônica comum para confirmar a história antes de fazer um Pix. As instituições financeiras também lembram que nenhum banco liga para pedir senhas, chaves Pix ou para solicitar transferências de “teste”. Outras recomendações de segurança incluem nunca abrir aplicativos bancários enquanto estiver conversando com um desconhecido ao telefone, jamais permitir o acesso remoto de terceiros ao celular e não clicar em links suspeitos que prometam prêmios ou regularização de documentos. Caso o golpe aconteça, a orientação é procurar imediatamente uma delegacia para registrar o boletim de ocorrência e acionar o banco para tentar reaver os valores.







